A Nintendo Switch 2 ainda nem chegou oficialmente às lojas — apenas no dia 5 de junho —, mas o entusiasmo em torno da popular consola já se traduz em ruturas de stock nos principais retalhistas dos Estados Unidos. No entanto, esse entusiasmo esbarrou numa realidade bem mais frustrante para muitos fãs: os preços significativamente diferentes que o novo modelo apresenta à escala global — e o impacto real nos orçamentos mensais.
Um estudo da TradingPedia comparou os preços praticados em dezenas de países, tendo por base o valor oficial de 449,99 dólares (395,27 euros à taxa de câmbio atual) nos EUA. A análise tem em conta o preço local da consola, o salário médio líquido de cada país e o número de horas de trabalho necessárias para comprar uma Nintendo Switch 2.
Suécia lidera o ranking dos países mais caros
Apesar dos elevados salários médios, é na Suécia que a consola apresenta o preço mais alto: o equivalente a 618,91 euros. Isto obriga o consumidor sueco a gastar cerca de 22% do seu salário médio mensal ou a trabalhar 38 horas para a adquirir. Também na Islândia, o preço ultrapassa os 600 euros — ainda que o número de horas de trabalho necessárias seja relativamente baixo (27 horas), devido aos salários mais altos.
Mas o cenário é ainda pior para países como a África do Sul (684,43 dólares, equivalente a 601,20 euros), onde o baixo salário médio obriga a 94 horas de trabalho, ou a Sérvia (592,86 euros), onde são necessárias 132 horas laborais para conseguir comprar a consola. Nestes casos, os custos elevados estão mais relacionados com taxas de importação, câmbios desfavoráveis e fracas infraestruturas logísticas.
Outros países onde a Switch 2 está entre as mais caras incluem a Finlândia, Noruega, Dinamarca, Bulgária, Chipre e Letónia — todos acima dos 540 euros.
Japão tem o melhor preço (com limitações)
Do outro lado do espectro, o país onde a Nintendo ‘nasceu’ oferece o preço mais baixo: 347,42 dólares, cerca de 305,17 euros. Contudo, há uma condição importante: esta versão da consola só suporta japonês e está bloqueada para utilização fora do Japão.
A seguir ao Japão, Singapura (387,78 dólares, cerca de 340,63 euros) surge como um dos países com menor custo absoluto — e também onde se trabalha menos para a comprar: apenas 17 horas. Os EUA surgem logo atrás, com o preço de base global de 449,99 dólares e 18 horas de trabalho necessárias, o mesmo cenário observado na Austrália.
Outros países com preços relativamente baixos incluem o Canadá, Coreia do Sul, Nova Zelândia e Malásia. A fechar o top 10 mais acessível está o Reino Unido, onde a consola custa 461,72 euros.
13 horas de trabalho na Suíça, 194 nas Filipinas
O estudo revela disparidades significativas quando se mede a acessibilidade em horas de trabalho. A Suíça lidera como o país mais “amigo” do consumidor: são precisas apenas 13 horas de trabalho para comprar a Switch 2, graças a um salário médio superior a 6.500 euros e um preço de consola que, embora elevado (cerca de 500 euros), representa menos de 10% do salário médio.
Já nas Filipinas, o cenário é o oposto. Apesar de o preço local ser próximo do valor americano (449,51 dólares), o salário médio é tão baixo que são necessárias 194 horas de trabalho para conseguir comprar a consola — o equivalente a mais de um mês inteiro de esforço laboral.
Portugal de fora, mas implicações são globais
Portugal não foi incluído diretamente no estudo da TradingPedia, mas a consola tem um preço de lançamento de 469,99 euros — e, com base nos salários médios nacionais, será necessário trabalhar cerca de 50 horas.
O caso da Switch 2 ilustra bem como um produto global pode ter impactos financeiros muito distintos conforme a geografia. E, com as recentes tarifas anunciadas pela administração Trump a afetarem o setor da eletrónica, é provável que esta tendência de disparidade de preços continue — e até se agrave.



