Um cenário cheio de vida e cores – muitas flores, cogumelos, portas, cartas, relógios… – serve um conjunto de cenas, todas elas curtas, o que faz desta versão dançada, coreografada pelo cubano Howard Quintero, de Alice no País das Maravilhas um espetáculo cheio de vitalidade e de pujança.
É uma estreia absoluta na Companhia Nacional de Bailado, esta transposição para o palco do clássico da literatura, da autoria de Lewis Carroll (que foi influenciada pelo filme de Tim Burton, de 2010, sobre a mesma história). A música é um aglomerado de peças de Tchaikovsky, interpretadas pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, com a direção musical de José Eduardo Gomes.
“É muito difícil encontrar uma maneira de contar uma história através do movimento em palco, foi um trabalho árduo. Tecnicamente, foi para mim o trabalho mais difícil que fiz”, diz Howard Quintero. “No cinema, há sempre um efeito digital que pode ajudar. Aqui acontece tudo em tempo real.” Alice é uma menina que toma uma poção mágica e encolhe, descobrindo um mundo de fantasia. Para Quintero, explorar o movimento nesta peça implicou diversificar os estilos. “Cada personagem tem o próprio estilo. E aqui fui muito flexível, porque a história é muito mais importante do que a minha marca como coreógrafo.”
O corpo de bailado dá vida, no primeiro ato, às flores na floresta e, no segundo, ao exército da Rainha de Copas, a tirana do País das Maravilhas: “A CNB é uma companhia grande, tenho de dar atenção a todos os bailarinos, fazê-los sentir que estão a trabalhar; têm de sentir que estão a fazer algo deveras difícil e desafiante, e sentir-se bem… As flores são mais dançantes e doces, já as cartas vejo-as como parte de uma família militar.”

Alice no País das Maravilhas > Teatro Camões > Passeio do Neptuno, Parque das Nações, Lisboa > T. 21 892 3470 > até 23 dez, ter-sex 19h30, sáb 18h30, dom 16h > €10-€25