
Os bailarinos Gus Solomons e Valda Setterfield recordam episódios do seu percurso artístico e falam sobre a forma como encararam a passagem do tempo e as limitações de movimentos
É raro vermos em cena, sobretudo em espetáculos de dança, corpos envelhecidos, como se também eles não transportassem a sua própria força e poética. A coreógrafa húngara Eszter Salamon quis descobrir as suas potencialidades e memórias, recorrendo a dois bailarinos notáveis, Gus Solomons, de 76 anos, e Valda Setterfield, de 82, que trabalharam com alguns dos mais importantes coreógrafos do século XX, entre os quais Merce Cunningham, Pearl Lang, Robert Wilson, Martha Graham e Mikhail Baryshnikov. Em Monument 0.1: Valda and Gus, Salamon parte de uma série de entrevistas feitas a ambos sobre as suas carreiras e práticas artísticas, correlacionando-as com os contextos político-sociais de cada década vivida.
A peça move-se entre o quadro vivo e a instalação performativa, fugindo aos cânones artísticos. Durante o espetáculo, Solomons e Setterfield recordam episódios do seu percurso e dos encontros com uma série de personalidades da dança pós-moderna americana, mas também falam sobre a forma como encararam a passagem do tempo e as limitações de movimentos. E, apesar de se terem movido num contexto colaborativo entre dançarinos e coreógrafos, Eszter Salamon quis reforçar as suas vozes e pontos de vista no presente.
Curiosamente, ambos os bailarinos têm-se mantido bastante ativos e promovido a visibilidade de artistas seniores. Monument 0.1: Valda and Gus é o segundo trabalho de uma série em que a coreógrafa húngara reconsidera a História do séc. XX através de um olhar sobre a dança, e tem sido aclamada pela crítica e pelo público.

Monument 0.1: Valda and Gus > Auditório de Serralves > R. D. João de Castro, 210, Porto > T. 22 615 6584 > 27 nov, dom 18h > €7,50