
Mia Hansem-Løve trouxe alguma frescura e juventude ao cinema francês com filmes como O Pai dos Meus Filhos, Um Amor de Juventude ou Eden – neste último conta a história do movimento de música eletrónica francesa, em torno dos Daft Punk. Em O Que Está Por Vir, surpreende ao optar por um caminho porventura mais convencional. Trata-se essencialmente de um filme de atriz, centrado na personagem interpretada por Isabelle Huppert, uma professora de filosofia desafiada pelas encruzilhadas da vida, que substituem, em termos práticos, outros debates políticos, sociais ou existencialistas. Há um crescimento abruto: o centro da questão passa a ser a difícil condição feminina à beira dos 50. Que, no caso de Nathalie, é precisamente quando tudo se desmorona (o marido sai de casa, a mãe adoece, a editora quer reformular os seus livros). Em plano de fundo, não só o pensamento filosófico, como também o confronto ideológico da geração do Maio de 68 com novos movimentos estudantis, que facilmente se interpreta como uma luta interna de uma geração com um passado difícil de digerir. E nunca é demais dizer que Isabelle Huppert é uma atriz extraordinária.
