1. Localização
Quarenta e muitos anos depois – 42 no caso do Tokyo e 50 no do Jamaica, para sermos precisos – os míticos clubes lisboetas mudam de morada. Estão no Cais do Gás, em antigos armazéns de barcos, a 500 metros da anterior localização. A notícia não é de agora, a saída deve-se a novos empreendimentos hoteleiros a ser construídos na Rua Nova do Carvalho, mas entre um fecho forçado pela pandemia em março de 2020 e o resvalar temporal das obras, as portas abriram apenas (finalmente!) nesta quinta, 29 de setembro. O projeto de arquitetura e distribuição do espaço é de Fernando Pereira, dono do Tokyo (em exclusivo) e do Jamaica (com outros sócios), com quem a VISÃO se sentou a conversar dias antes da abertura. O pai foi sócio-fundador do Jamaica e Fernando chegou a trabalhar no bar, ainda miúdo. Apesar da longa história, confessa: “Parecemos miúdos a reaprender a andar de bicicleta. Em 30 meses, quase nos esquecemos de tudo.”
2. Alma
Melhores sistemas de som, o triplo da lotação e zonas exteriores. Apesar das novidades, “o objetivo é ter a mesma vibração”, garante Fernando Pereira. Provavelmente, não haverá tanto acotovelamento na pista de dança, mas a equipa tudo fez para que o espírito se mantivesse o mesmo. Ou seja: no Tokyo, continua a apostar-se na música ao vivo, seguida de atuações de DJ, com um caminho mais próximo do rock; no Jamaica, será Bruno Dias – filho do primeiro DJ do clube, Mário Dias, e que já assegurava as noites antes do encerramento – a ocupar a cabine do DJ, com pop, algum reggae e música portuguesa. “Agora, há novos sistemas de som e melhores condições para as bandas tocarem ao vivo no Tokyo”, e no Jamaica, explica Fernando, “o Bruno também tem novos instrumentos de controlo de música.” Nas paredes, continuam a encontrar-se vinis emoldurados e até o teto do Jamaica tem um ecrã LED onde se projetam, entre outras imagens, o icónico boneco jamaicano do logótipo.
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3. Acesso
Uma única porta, ou melhor, um pórtico, dá acesso aos dois clubes. À direita, fica o Jamaica, com um espaço exterior decorado com bancos e mesas altas para as pausas de cigarro ou um copo ao ar livre, e lá dentro, Fernando idealizou uma parede amovível, que muda consoante a lotação do espaço. À esquerda, está o Tokyo, com uma esplanada exterior que deverá abrir ao final da tarde daqui a uns meses. Lá dentro, existe um enorme palco a ocupar uma das paredes da sala – atenção ao bar, decorado com passagens de algumas músicas. A entrada custa €12, consumíveis nos dois bares. Ou seja, é possível saltitar entre ambientes e estilos musicais. Novidade é também a aplicação de telemóvel Tokyo and Jamaica, que permite a compra de bilhetes para os espetáculos, carregar saldo, pagar no bar e aceder a vales especiais. Mas descansam os adeptos do analógico, que também se pode pagar com notas e moedas.
4. Programação
Reza a história que nos primórdios do Tokyo, a programação musical se assemelhava à do Jamaica. Porém, cedo enveredaram pela música ao vivo. “Chegaram a tocar lá os UHF e os Xutos & Pontapés nos anos 80. Houve muita gente, assim mais conhecida da música, que passou por lá”, conta Fernando. Houve oscilações de estilo e oferta musical ao longo dos anos, mas nos últimos a música ao vivo foi claramente uma aposta do Tokyo. É-o novamente agora em frente ao Tejo, com um palco maior (“melhores condições para os artistas”) e uma agenda a cargo de Fred Martinho (HMB) e de Rui Pedro Pity (The Black Mamba), que está ainda a afinar a programação de concertos. Às quartas, o tema será rock, às sextas, funk e soul, com bandas ao vivo que serão complementadas por DJ no mesmo alinhamento. Mais: por estar junto ao Tejo, os dois clubes passam a fechar uma hora mais tarde do que faziam nas antigas moradas (ver horário, em baixo).
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5. Sustentabilidade
E porque não se chega a 2022 de costas voltadas para as questões ambientais, também aqui há uma aposta na sustentabilidade. Os copos são todos de vidro, as palhinhas são um canudo de junco, as torneiras das casas de banho são eletrónicas para reduzir o consumo de água. Ambos os bares têm painéis solares e um sistema de climatização moderno que renova o ar interior com o ar fresco da noite.
Cais do Gás, Lisboa > Tokyo: seg-qui 22h-5h, sex-sáb 22h-6h > Jamaica ter-qui 24h-6h, sex-sáb 24h-7h > entrada: €12 (consumíveis)