Os vinhos com a denominação de origem Douro provêm da mesma área territorial que, em finais do século XVIII, ao tempo e por iniciativa do Marquês de Pombal, foi demarcada para a produção do vinho do Porto. Nesta iniciativa do fogoso ministro de D. José I, revelava-se o interesse – entre outros – de promover a qualidade de um vinho singular que tinha dado fama e proveito à região e que estava ameaçado. Em consequência, o vinho do Porto tornou-se um caso de sucesso só explicável pela sua qualidade excecional, que muito deve ao território singular onde nasce. Não sucedeu outro tanto com os vinhos regionais – branco, tinto, rosado e outros –, que permaneceram discretos, pelo menos até meados do século passado, quando Fernando Nicolau de Almeida criou o Barca Velha, da Casa Ferreirinha.
Foi a prova que faltava para demonstrar a aptidão do território e das castas autóctones para a produção do vinho do Porto e, também, de outros vinhos da mais alta qualidade. Só em 1982 surgiu a Denominação de Origem Controlada (DOC) na região correspondente à antiga demarcação Douro, a fim de se proteger a originalidade e as características específicas dos seus vinhos. E depressa os vinhos do Douro revelaram a sua grandeza com brancos e tintos excecionais – uns para beber jovens, outros de guarda –, com rosés aromáticos e sedutores, com espumantes, com colheitas tardias e com moscatéis, não raro surpreendentes.
Escolhemos três tintos de gamas e de estilos diferentes, todos com a qualidade Douro, ou seja todos bons, mas cada qual a seu modo: Quinta do Noval Reserva Douro 2018, um clássico e um grande vinho em qualquer parte do mundo; Pôpa Amphora Tinto 2018, vinificado em talha, o que é inusual na região e que lhe dá um caráter particular sem desvirtuar a matriz duriense; e Tons de Duorum Douro Tinto 2019, vinho de entrada de gama da marca Duorum, por isso simples mas agradável, para todos os dias.
Quinta do Noval Reserva Douro 2018
Resulta da seleção dos melhores lotes de Touriga-Nacional (60%), Touriga-Francesa (25%) e outras castas da Quinta do Noval (15%), e está impressionante com a sua cor carregada, quase opaca; o aroma concentrado e muito fino com notas de frutos vermelhos, bagas silvestres e especiarias; e o paladar elegante, que é um misto de poder e de delicadeza com estrutura perfeita. Um vinho para guardar e que é difícil deixar de beber já. €51
Pôpa Amphora sem DO/IG Tinto 2018
Um tinto do Douro elaborado com uvas da casta Touriga–Nacional de forma original, em talhas (de mil litros), à maneira antiga do Alentejo. Tem uma aberta cor rubi, aroma jovem a frutos vermelhos frescos, com ligeiro toque floral e apontamentos de especiarias, paladar cheio, macio, guloso, a revelar um caráter rústico, mas elegante e natural. Muito bom, em suma. €29,50
Tons de Duorum Douro Tinto 2019
Lote das castas Touriga-Franca, Touriga-Nacional e Tinta-Roriz, com fermentação em cubas de inox. Apresenta cor rubi, aroma intenso a frutos vermelhos frescos, como morangos e framboesas, paladar fresco e macio, com taninos suaves, e corpo equilibrado, num conjunto agradável. Fácil de beber, informal e versátil. Insinua-se para as refeições do dia a dia. €4,99