O epidemiologista mais respeitado pelos suecos admitiu que a estratégia do país para gerir a pandemia teve erros que resultaram em demasiadas mortes.
Anders Tegnell, que levou o Governo a não declarar o confinamento da população fez uma espécie de mea culpa à boa maneira do adágio “se soubesse o que sei hoje”.
“Se encontrássemos a mesma doença, com o conhecimento que temos hoje, acho que a nossa resposta chegaria a um ponto de equilíbrio entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo seguiu”, disse a uma rádio, citado pela Bloomberg.

Getty Images
A tática de deixar lojas, restaurantes, cafés ou ginásio abertos, assim como escolas para alunos até aos 16 anos, teve como resultado, até agora, num país que tem a mesma população do que Portugal, em 4468 mortos e 38589 infetados. Uma das taxas de mortalidade por cada 100 mil habitantes mais altas do mundo.
Com o argumento de que a natureza de longo prazo da pandemia exigia uma resposta mais sustentável do que confinamentos severos e abruptos, o especialista sempre teve o apoio da população e das autoridades, apesar das críticas internacionais de laxismo. No entanto, anui agora que “claramente há potencial para melhorar o que fizemos”.
Entre a teoria da imunidade de grupo e o descalabro na economia que o isolamento social poderia causar, Tegnell já ouviu que não é bem assim. A ministra das Finanças, Magdalena Andersson, alertou que a Suécia enfrenta a pior crise económica desde a II Guerra Mundial , com o PIB a cair 7% em 2020, aproximadamente o mesmo que o resto da União Europeia.

Getty Images
O Governo mostra sinais de preocupação com a estratégia delineada e o primeiro-ministro anunciou uma investigação sobre a abordagem feita à Covid-19.
Apesar do mea culpa, o epidemiologista não sabe dizer o que deveria ter sido feito de diferente, se implementar outro tipo de medidas ou implementá-las todas de uma só vez.
“De facto, todos os países lançaram muitas medidas ao mesmo tempo. A Suécia é um dos poucos países que tem feito um caminho diferente. Todos os outros começaram com muitas coisas ao mesmo tempo e o problema é saber qual das medidas surtiu melhor efeito”, refere.
A Suécia registou o primeiro caso de infeção a 15 de fevereiro. Um mês depois já tinha mais de mil casos e, a 15 de abril, cerca de 12 mil. Este número quase triplicou no mesmo dia do mês de maio.