“Neste momento e a julgar pelos dados da Direção-Geral da Saúde existem já milhares de portugueses infetados”. A informação consta de um documento que os médicos do Hospital da Luz de Setúbal, decidiram elaborar para esclarecer a população daquela zona “Quem trabalha em serviços de saúde já lida diariamente com estes doentes, que estão a chegar às urgências em número crescente todos os dias”, explicam.
Os médicos, que decidiram fazer este documento tendo em conta a situação de pânico que se estava a generalizar na região, explicam que “é necessário manter a calma e serenidade, mas não desvalorizar o impacto que a pandemia do COVID-19 terá na nossa sociedade”- E continuam: ” Tudo aponta para que o cenário que se está a viver em Itália, Espanha e outros países europeus, se torne a realidade diária também no nosso país”.
No documento, o grupo de especialistas, explica depois o impato que a doença terá em Portugal. Lembram que “a maioria dos portugueses será infetada pelo COVID-19, sendo que alguns estudos apontam para uma taxa de infeção de cerca de 70% da população”, explicam que “a maioria dos doentes infetados, apenas terá sintomas ligeiros ou não terá qualquer sintoma” e alertam para o fato de “cerca de 10% dos portugueses infetados” necessitarem de tratamento hospitalar “e destes uma pequena percentagem necessitará de ser ventilado em Unidades de Cuidados Intensivos”.
Sublinhando que grande parte dos casos graves irão afetar os mais idosos, os médicos avisam, contudo, para um dado.: “Existirão jovens gravemente doentes, tal como acontece na maioria das doenças infecciosas e alguns também vão necessitar de cuidados intensivos”. No entanto, acrescentam, “a maioria dos jovens quase não dará pela doença”.
Antes de terminar fazem um alerta: “É muito importante que cada um de nós dê o seu contributo para ajudar a diminuir a velocidade de transmissão da doença, transmissão essa que neste momento é inevitável. Só se a velocidade de contágio for menor, é que os hospitais poderão dar resposta a todos aqueles que vão precisar de cuidados e se forem muitos em simultâneo, não teremos obviamente capacidade”. E deixam um apelo: “Assim, é muito importante, diríamos mesmo crítico e essencial que cada família considere seriamente o seu isolamento social”.