O Mercado de Ver-o-Peso tornou-se um dos principais pontos de abastecimento da cidade, além de ser, hoje, um dos pontos turísticos mais visitados.
Sendo ali o ponto de chegada de toda a produção agrícola e pecuária vinda do interior, foi-se tornando aos poucos um grande complexo. Já em meados do século XIX, o local não tinha espaço suficiente para abrigar todos e tornava-se necessária a construção de uma estrutura mais apropriada. Os mercantes extrapolavam os limites físicos e espalhavam-se pelos passeios à volta. No Brasil, mais especificamente em Belém, as consequências deste período eram nitidamente encontradas. Não foi por acaso que se deu a entrada maciça de ferro – além do facto da estreita relação que a região tinha com a Grã-Bretanha, berço da Revolução Industrial e grande produtor deste material – e a necessidade de organização de um espaço para venda e troca de alimentos, principalmente a carne, visando a melhoria da higiene e a diminuição da contaminação de doenças.
É neste cenário que em 1901 é inaugurada uma nova edificação para abrigar os mercadores e seus produtos: o Mercado de Ferro, usualmente conhecido como Mercado de Peixe. Como o nome já diz, este mercado é todo construído em ferro fundido perfilado que, embora não se tenha identificado referências quanto à procedência deste, as suas torres denotam uma possível raiz e gosto europeu da época.
Hoje, o complexo da feira engloba, além de duas praças – a Praça do Pescador e a Praça do Relógio – um mercado a céu aberto, constituído por duas feiras – a Feira do Açaí e a Feira do Ver-o-Peso; uma doca de embarcações – Doca do Ver-o-Peso; e os dois mercados – Mercado de Ferro (Mercado de Peixe) e o Mercado de Carne (antigo Mercado Municipal).*
* Fleury, Jorge Nassar e Ferreira, Aline Alves (2011), “Ver-o-Peso da cidade: O mercado, a carne e a cidade no final do século XIX”. Revista Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, vol. VI, nº 1, pp. 100-116. Página consultada a 28 de Julho de 2013 http://www.ufpa.br/pphist/estudosamazonicos/arquivos/artigos/1%20-%20VI%20-%205%20-%202011%20-%20Jorge_Aline.pdf