A União do Myanmar, nome oficial da antiga Birmânia, é também mundialmente conhecida como “The Golden Land”. Porque será?
Os birmaneses adoram o ouro! O ouro é usado em todo o lado e para tudo! Nos pagodes, nos mosteiros, nos templos, em joias e acessórios dos nobres. A maioria dos pagodes e templos estão cobertos de folha de ouro e, naqueles em que não se podem dar ao luxo de usar ouro puro, pintam-nos com purpurina dourada. Onde quer que se vá ou para onde quer que nos viremos, as coisas douradas, os Budas e os monumentos cobertos de ouro, estão por todo o lado! Senti-me subjugada pelo peso de tanto ouro! Há Budas que estão deformados, de tanto terem sido cobertos de folhas de ouro pelos crentes, para pagar promessas ou pedir favores. Como os cinco pequenos Budas do séc. XII, que vi no Pagode Phaung Daw Oo, no Lago Inle, que ao longo dos anos têm sido cobertos de folhas de ouro doadas pelos peregrinos, de tal forma que hoje se desconhece a sua verdadeira forma! Mais parecem “aboborinhas”!
Isto, apesar de hoje ser um dos países mais pobres do sudeste asiático, mas que em tempos foi o mais rico, e onde todos sabem ler e escrever graças à tradição de que todas as crianças têm obrigatoriamente de entrar para um mosteiro (meninos ou meninas e até mesmo o rei) e serem monges, onde são alfabetizados juntamente com os ensinamentos do Budismo.
No entanto, não fiquei com uma ideia de extrema pobreza. Talvez porque os padrões de riqueza a que estamos habituados sejam diferentes dos deles. As aldeias são limpas e arrumadinhas, as pessoas de uma imensa simpatia e, acima de tudo e ao contrário de outros países asiáticos, como a China e a Índia, não se vê porcaria, nem lixo nas ruas. Mesmo nas de terra batida, as casas são feitas de teca e vime, com paredes de tiras de bambu entrelaçado, algumas mesmo com varandas e vasos de flores pendurados e até a mais humilde das latrinas, em pleno campo (uma casota com um buraco no chão que corre por um cano para um esgoto) são limpas e cheiram a creolina.
Além disto, o que mais me encantou foram as paisagens de grande beleza, quer se trate de montanhas, quer do maravilhoso Lago Inle, onde não existe poluição, não há “stress”, tudo corre devagar e onde impera o silêncio, só cortado pelo ruído dos motores dos barcos (onde aliás é proibido andar a motor, junto aos resorts), o grasnar das rãs, o ploc-ploc dos peixes que saltam fora d’água ou pelo grito das aves. Tudo é tão tranquilo, tão pacífico!
Foi dos lugares onde mais gostei de estar. Ver nascer o dia, seja na varanda sobre o lago, seja empoleirada num templo de Bagan – onde aos poucos a noite dá lugar ao dia, entre tons de rosa e púrpura, até o sol nos mostrar uma infinidade de agulhas de templos, pagodes e stupas – são imagens que ficaram gravadas em mim e que nunca mais vou esquecer!
Aqui deixo uma pequena introdução, que espero seja como um aperitivo, para mais tarde desenvolver com mais pormenor, com um pouco da história deste país, por temas ou por áreas, mas sempre com o prazer de poder partilhar convosco o que aprendi e o que ganhei com as minhas experiências vividas.