Viram aquele Afonsinho a dançar com a Sara Larzon, ou lá como é que a pita se chama? Eu nem vou dizer o que acho dela, que eu sou um gajo de 40 anos só a tentar dar a minha opinião, e hoje em dia já não se pode dizer nada. Mas que ela é bem… Bom, não é o ponto agora, e depois eu é que sou chamado de porco machista e tal, qu’ eu já sei o que é qu’ a casa gasta.
Viram o puto a dançar ou não? Aquilo foi parar às redes sociais e nós, homens adultos, fomos – e bem! – para todas as caixas de comentários existentes dizer-lhe das boas, pa’ ver se o gajo se faz homem também, e as borboletas do costume ficaram todas ofendidas.
Mas alguém me explica onde é que este país vai parar, se é assim que os putos agora dançam? Homem que é homem, se tiver a sentir a música, no máximo mexe os ombros pa’ cima e pa’ baixo, e vai batendo o pé. Dançar como ele dançou, é coisa de pane*****, e se calhar já chega disso no país, não? Eu não sou homofóbico – atenção! -, até tenho amigos que são e não tenho nada contra eles lá fazerem o que fazem, desde que não seja à minha frente. Mas acho que isto já foi longe demais e a continuar assim, em breve não há homens – HOMENS! – e só há florzinhas dessas que nunca andaram à porrada no trânsito, e nem um pneu sabem trocar.
Um homem deve estar preparado para a guerra e para a luta, não é para dancinhas estupidamente felizes. Os braços de um homem não são para serem agitados com alegria e liberdade como fez o Afonso. Servem para dar socos e segurar em armas. E claro que também podem servir para expressar afeto de quando em vez, que eu não sou um monstro. Mas só no caso de abraçar um amigo, enquanto lhe damos aqueles palmadões nas costas que servem para ninguém tenha dúvidas de que somos homens a sério.
Eu não tenho nada em particular contra o miúdo, que isto fique claro. Insultar é só a forma como os homens a sério educam outras pessoas na internet.
Mas a minha grande questão é: se eu vivo numa prisão de masculinidade heteronormativa, que resulta nesta constante infelicidade latente que se expressa tantas vezes em raiva, violência ou depressão, porque é que todos os outros não vivem também?
AH! MERDA!
Desculpem. É que tenho tourette de wokismo, e às vezes sai-me umas destas.
Tenho que ir descansar. Até à minha próxima crónica.
E não se esqueçam: evitem ao máximo dançar e ser felizes.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.