Epstein? Acho que não… Hmmm… Ah! Já sei, o da teoria da relatividade que andava sempre com a língua de fora. Muito engraçado! Não, esse é o Einstein. Estou a perguntar-te sobre o Epstein. Bernstein? O maestro? Não. A sério que não ouviste falar dos ficheiros Epstein? Jeffrey Epstein. Ah! Sim, sim, uma coisinha ou outra… Mas olha, e o nosso Benfas, hã? E olha aqui este vídeo de IA que é um gato gigante a pilotar um avião que é feito de flamingos estrábicos? Hilariante.
Sinto que grande parte da comunicação social, dos governos e até da população mundial está um bocado assim, quando acabámos de saber que algumas das pessoas mais poderosas do mundo estão envolvidas num círculo de pedofilia, vioalação de menores, tráfico de crianças e mulheres e, aparentemente, até canibalismo. Eu, por acaso, acho que não se devia estar a falar praticamente de mais nada, mas às tantas sou eu que estou a exagerar e devemos mesmo seguir a vida do mundo normalmente, como se não tivéssemos acabado de ler emails que falam de comer bebés. Dá um bocado a ideia de que montes de gente (incluindo, sei lá, presidentes e ministros dos países), ficam a saber disto e pensam mesmo “oh matar e comer bebés, quem nunca teve vontade que atire o primeiro bebé ao mar da ilha do Epstein, né? ehehe”.
Se calhar sou só mesmo eu, que realmente tenho tendência para drama queen, que acho que o mundo deviar parar. Mas parar completamente, do tipo: “****-se, alto lá, um grupo de bilionários e altos decisores políticos anda a abusar sexualmente de milhares de miúdas, há troca de influências gravíssimas, manipulação de democracias inteiras e, repito, COMER BEBÉS. Para tudo imediatamente!”. Ok, certo, se calhar o mundo não pode parar literalmente. Mas diria que também não é preciso que seja o oposto, que é este ignorar olímpico do que está a acontecer. Penalty duvidoso? Aproximadamente 500 horas semanais de debate na tv, mais artigos por todo o lado, comunicados do primeiro-ministro e sermão do Papa sobre a diferença entre ser mão na bola ou bola na mão. Presidente do país poderoso do mundo ser um abusador sexual de menores? Não vale a pena sequer ir ao VAR. Segue jogo.
“Ó pá, ó Faro, mas também o que é que podemos fazer?”. QUALQUER COISA! TAMBÉM NÃO SEI BEM O QUÊ, MAS QUALQUER COISA! Ai, peço imenso desculpa não me queria exaltar, nem pôr-me aqui a gritar convosco que também não têm culpa. Mas eu acho honestamente que devíamos estar todos absolutamente horrorizados e preocupados, a exigir respostas e justiça. Acho eu, acho eu, que escrevi esta crónica no avião a ir de férias, onde vou fazer tudo o que estiver ao mesmo alcance para durante duas semanas não pensar em mais nada que não seja samba, capirinhas e beijar na boca.
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