A tempestade destruidora aproxima-se do Irão. Dois porta-aviões e os seus grupos de combate, juntamente com as bases americanas na região, conferem a Trump um peso avassalador nas exigências que dirige ao regime de Teerão. A Guarda da Revolução e o líder religioso lançam as suas bravatas, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros já demonstrou abertura e disposição para negociar com a Casa Branca.
O Irão não é a Venezuela, em termos militares, mas a degradação do poder teocrático torna-se evidente pela brutalidade que empregou na repressão dos manifestantes contra as condições de vida no país. O velho Khamenei já só prega aos beneficiários do sistema, marcado por décadas de isolacionismo. A exceção, agora, é a aproximação à Rússia e a troca de drones por bens essenciais — mas isso representa uma ajuda ínfima numa economia fechada.
Com 93 milhões de habitantes e uma idade média de 35 anos — quase 70% da população tem entre 15 e 64 anos — o Irão está na fase de implosão. O rendimento per capita ronda os quatro mil dólares e a inflação atingiu os 44% em 2025, o que exerce uma pressão insustentável sobre o regime político. Os iranianos querem mudar, e os 30 mil manifestantes mortos são um sinal de desespero e de último recurso dos «revolucionários» do poder.
Trump já garantiu que falará com Teerão, como fez com Maduro. Falta apenas saber com quem.
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