Quando pensamos em moderação, associamo-la ao equilíbrio, ao bom senso, a algo na medida certa que evita exageros e, consequentemente, excessos.
Costumamos reconhecer este conceito facilmente no nosso quotidiano quando vamos ao médico, se conseguirmos claro, e este nos recomenda beber ou comer com moderação.
Também o identificamos em debates na figura do moderador, cujo objetivo é gerir discussões que geralmente envolvem oradores com posições opostas, procurando assim encontrar um espaço de diálogo e respeito. Um exemplo claro disso poderá ser a abóbada de São Bento.
No mundo do trabalho, a moderação manifesta-se na necessidade de existirem pausas regulares que evitem longos períodos de esforço físico ou psicológico, situações que podem comprometer o trabalhador e a eficiência do seu desempenho, obviamente tal situação exige equilibro para que não se converta em excesso.
No ambiente escolar, está presente na utilização eficiente e cuidada dos materiais e recursos escolares disponíveis, evitando reformas desnecessárias e aprendizagens apressadas.
Na gestão dos fundos familiares, traduz-se na capacidade de evitar gastos supérfluos e de não ceder ao impulso de substituir aquilo que ainda funciona por uma alternativa mais apelativa. Como exemplo, trocar um carro com poucos quilómetros por um novo apenas por este ser laranja.
A moderação pode ser uma virtude quando principalmente serve para nos valorizar. Vejamos o exemplo da habitação: um agregado familiar que gasta mais de 30% do seu rendimento em despesas habitacionais encontra-se numa situação de “cost-burdened”.
Felizmente, no nosso país, o salário médio dos portugueses encontra-se nos 7.666,67 € líquidos, caso contrário, uma pessoa sozinha dificilmente conseguiria fazer face aos 2.300,00 € de uma renda moderada…
Naturalmente, existe sempre a possibilidade de aqueles que não auferem estes valores recorrerem à partilha de habitação, juntando-se a outra pessoa, o que permitiria que cada um dispusesse do modesto valor de 3.833,34 € líquidos para suportar tamanha moderação…
Não compreendo, contudo, a demora na atualização dos dados do INE, que continuam a refletir uma realidade em que o salário médio era de 1.694,00€ brutos por trabalhador. Sou sincero, a moderação é um tema que por vezes me confunde – gosto mais da acessibilidade, presumo que seja um conceito mais fácil de compreender. Até lá, ficamos com a nova lei do arrendamento, que pretende terminar com o limite que impedia os aumentos das rendas em novos contratos de ultrapassarem o coeficiente de 1,02 por cento. Estou certo de que a moderação dos arrendatários será superior à do nosso atual executivo.
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