Bem, nunca estivemos sozinhos… A convivência entre o Homem e o animal remonta a tempos ancestrais. Quer seja por razões de companhia ou conveniência de sobrevivência, os animais têm acompanhado a existência evolutiva do ser humano.
Sejam cães, gatos, peixes, pássaros ou outro tipo de animal de estimação, a verdade é que é cada vez mais improvável imaginarmos uma família sem o seu pet. Mas se por sua vez, o Homem evoluiu e com ele o seu habitat, pouco tem sido feito por quem nos tem acompanhado nesta jornada evolutiva.
A domesticação interesseira dos animais para sua proteção ou trabalho levou o Homem a criar infraestruturas para os reter ao invés de acolher. Os cercados, celeiros ou estábulos cumpriam a função de conter os animais para que não dispersassem. E o conforto? Será que temos equacionado o conforto dos nossos fiéis amigos ao longo da evolução do nosso próprio bem-estar?
À imagem do processo do Homem, pensemos na evolução do habitat dos nossos animais de estimação de uma forma estruturada e consciente!
Façamos o seguinte exercício: que infraestruturas temos na cidade que habitamos, dedicadas aos nossos animais de estimação? E não me refiro aqueles parques de atividades desenhados exclusivamente para cães, que vão nascendo ao longo das cidades quando as autarquias têm uma verba extra e decidem agradar os seus eleitores.
Refiro-me a infraestruturas basilares como centros de medicina veterinária equipados e capazes de dar resposta à crescente demanda. E no nosso bairro? Quantos de nós vivem em bairros com zonas sanitárias para os nossos animais ou até espaços de convivência?
Temos um caminho a trilhar para que atinjamos o conforto que todos nós consideramos que os nossos fiéis amigos merecem. Mas esse caminho já está a ser feito e construído a cada nova medida. Temo-nos consciencializado da importância dos animais de estimação ao longo dos anos e prova disso é, por exemplo, a criminalização dos maus-tratos animais. Temos crescido enquanto seres pensantes e empáticos e desenvolvido medidas legais para que sejam atribuídos direitos a animais de estimação enquanto membros da família – finalmente!
Contudo não bastará encher o “livro das leis” com novas e necessárias medidas para que possamos considerar que os nossos amiguinhos estão protegidos. Comecemos pelo básico, comecemos por nossa casa. Não é difícil! Devemos pensar nas necessidades deles como se fossem as nossas… No fundo são! Conforto térmico e acústico são “mínimos olímpicos” para que uma construção seja considerada habitável. A par com uma boa iluminação e ventilação natural, estes atributos fazem com que o abrigo que construímos ou elegemos esteja em condições de se estruturar como um lar e aí o possamos chamar de casa.
O lugar onde escolhemos nidificar e acolher o agregado familiar que agregámos (passe a redundância) tem de ser dotado de conforto e condições que nos faça querer permanecer. Quanto mais confortáveis nos sentimos nas nossas casas, mais confortáveis os nossos animais de estimação se sentirão.
Embora que geneticamente desenvolvidos para sobreviver às intempéries, com evolução da ciência e tecnologia conseguimos construir elementos protetores que conferem conforto e bem-estar e que consequentemente prolonga a esperança e qualidade de vida, quer das pessoas, quer dos animais…
Mas não são os materiais de construção que têm o poder de converter um abrigo numa casa. Essa proeza só é conseguida com a vivência e com o habitar do espaço. É o quê e quem escolhemos colocar dentro do nosso espaço que ditará se o que habitamos se chama abrigo ou casa e eles são peças fundamentais nesta transformação. Como tal, nada mais que justo do que fazerem parte do processo de pensamento do espaço habitacional. Nada mais lógico que sejam tidos em consideração no desenho do espaço urbano, enquanto agentes preponderantes da nossa sociedade que se quer evoluída, empática e estruturada.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.