Há uma frase de Eça de Queirós que me acompanha desde os tempos longínquos da universidade, como um eco que volta sempre que me vejo diante de uma sala de aula cheia de rostos atentos, muitas vezes de origens diversas: “A língua é o mais fiel espelho da alma de um povo.”
Não se trata apenas de uma definição – é uma revelação. A língua não serve só para enunciar palavras; serve para revelar quem somos, de onde viemos e a que mundo interior pertencemos. É o que une um pescador de Aveiro a um professor de calor húmido de Maputo ou de Malabo, um músico de São Vicente a um emigrante que ainda diz “saudade” no inverno da luz de Paris. A língua é, antes de mais, memória coletiva – e o português, com as suas múltiplas vozes, é um mosaico de memórias vivas.