Recusar o fait-divers: a distração também governa
Um país que discute tudo o que o entretém e se resigna perante o que o fere acaba por entregar aos outros o comando da própria vida
Dia Mundial do Professor: um país que diminui os professores diminui-se
Aos professores pede-se que preparem o futuro, enquanto se lhes desgasta o presente. Celebrá-los uma vez por ano custa pouco; reconhecer-lhes autoridade, tempo e condições para ensinar exige escolhas que uma democracia não pode continuar a adiar
Opinião | Greve: a escola fecha primeiro por dentro
Quando uma escola fecha, contamos os alunos sem aulas, os pais sem alternativa e as horas perdidas. Falta-nos contar o tempo durante o qual aqueles que a habitam procuraram ser ouvidos. Entre Portugal e França, com protestos de natureza distinta, precisamos de interrogar a distância entre a educação que proclamamos e as condições em que aceitamos que ela aconteça
Quando o confronto entra pela porta da sala de aula. O papel do mediador de conflitos
Entre o aluno que chega atrasado todos os dias e a professora que já não encontra energia nem tempo suficientes para travar a mesma batalha, existe um espaço invisível. É aí que a mediação pode entrar, não para decidir quem ganhou, mas para que a escola não tenha de perder ninguém
Bibliotecários escolares: os jardineiros da democracia. Por José Paulo Santos
Os melhores bibliotecários sabem que nenhum projeto de promoção da leitura será bem-sucedido se permanecer encerrado dentro de uma sala ou de um edifício. Um leitor forma-se através de uma comunidade inteira
O escritor em tribunal: quando um algoritmo se torna testemunha
Um escritor pode chegar ao banco dos réus sem nunca ter entrado num tribunal. Basta uma máquina dizer que o seu livro foi escrito por outra máquina. A partir desse momento, aquilo que era literatura transforma-se em prova; o autor, em suspeito; e uma percentagem começa a falar mais alto do que a própria pessoa que escreveu
Afinal, o que nos deixa António Guterres? Esperança
Entre tantas palavras que poderiam resumir estes dez anos de Guterres, à frente dos destinos da ONU, as que mais me ficam não é poder, nem guerra, nem crise, nem sequer futuro. É esperança. Não a esperança fácil de quem acredita que o mundo se corrigirá sozinho, mas a esperança difícil de quem conhece a dimensão do perigo e escolhe, apesar disso, continuar a acreditar no ser humano
A escola não pode continuar a ser uma sala de espera
Esta é a pergunta que Portugal precisa de fazer com maior coragem. Que escola estamos a oferecer a um jovem que sabe, aos 16 anos, que não quer seguir uma universidade, mas que quer ser alguém?
PISA 2025: Quando a escola já não tem tempo para pensar
Queremos professores capazes de iluminar uma matéria, estabelecer relações inesperadas, despertar uma pergunta, trazer um livro, experimentar uma abordagem diferente, perceber o silêncio de um aluno, inventar uma aula memorável; mas enchemos-lhes o tempo de tarefas que pouco ou nada têm a ver com o momento decisivo em que a aprendizagem acontece: aquele em que um ser humano tenta abrir outra inteligência humana
Os homens também morrem de amor
Há homens que não choram quando uma mulher parte. Continuam a trabalhar, conduzem, respondem a mensagens, fazem compras, cozinham, sorriem quando é necessário. Apenas deixam de viver em algumas divisões secretas de si mesmos, sem que ninguém repare
É urgente plantar sombra
O banco não é um mobiliário menor: é uma infraestrutura geriátrica ao ar livre, uma receita passada em madeira e sombra. Uma praça assim faz mais pelo envelhecimento saudável do que muitas campanhas: tira o idoso de casa, dá-lhe destino, protege-o do calor e da solidão
Morreu Yayoi Kusama: as bolinhas ficam
Tinha 97 anos e continuou a pintar até aos últimos dias. Esta é a imagem que devemos guardar dela: não a mulher que desapareceu, mas a mulher que continuou a criar
As mulheres que querem conservar o quê?
O novo conservadorismo feminino, a disputa pelo corpo das mulheres e o perigo de transformar a tradição em destino
Konstantinos Tsoukalas: o "nós todos" contra a noite
Obrigado, Tsoukalas. A tua voz continuará a ecoar nos corredores da nossa consciência coletiva, como um lembrete discreto e urgente: em cada encruzilhada do tempo, a escolha é sempre a mesma. Entre o "nós todos" e o "ninguém", sejamos dignos da primeira palavra
Alerta urgente: a água que ainda teimamos em desperdiçar
Não defendo uma cultura de privação. Defendo uma cultura de inteligência. Não precisamos de voltar ao meio balde de água para lavar um carro. Precisamos de aprender com a lógica que existe por detrás dele: usar apenas aquilo que é necessário
Cem anos depois, Giverny volta a contar a história de Monet
O Monet que ressurge no centenário não é o mito, mas o homem – o que, para continuar a pintar, teve de aceitar que o pincel nem sempre pagava o pão
A crónica: a estante mais silenciosa. Por José Paulo Santos
É aqui que nasce a crónica. Não da excecionalidade dos acontecimentos, mas da capacidade de descobrir significado onde quase todos passaram sem reparar
Cuidado: Os livros infantis são perigosos
há poucas coisas mais inquietantes para qualquer poder do que um cidadão que aprendeu a fazer perguntas antes de aceitar respostas. É precisamente por isso que os livros infantis representam um caso particularmente grave
O “Titanic” da Educação Portuguesa: Música no salão enquanto o casco rasga o futuro
Os icebergues são visíveis: manifestam-se na crise da atenção, na erosão da leitura, no desgaste dos professores, na fragilidade emocional dos jovens e na crescente dependência tecnológica
Exames Nacionais: Três dias antes do fim do mundo
Quando o sistema educativo começa a depender do sacrifício silencioso dos professores para funcionar, já não estamos perante um problema de organização. Estamos perante um problema de dignidade