José Paulo Santos

Poeta, professor e formador
Opinião

Os relatórios sobre as escolas e os silêncios graves

Nunca se mediu tanto. Nunca se escreveu tanto sobre educação. E, no entanto, permanece uma pergunta desconfortável: sabemos realmente o que se passa dentro das escolas?

Opinião

Os Últimos Samurais e os Exames Nacionais em chamas

São os professores, ainda hoje, os últimos resistentes, não de forma épica aos olhos do mundo, mas profundamente heróica na intimidade silenciosa das salas de aula e no labor invisível da correção de exames

Pensar

A escola ferida: autoridade, silêncio e violência num tempo sem escuta

Neste tempo dominado por algoritmos, velocidade e virtualidade, talvez o gesto mais radical da educação seja simples: parar, escutar, estar. Criar, enfim, um espaço onde ninguém precise de recorrer ao desespero, à violência, para existir

Bom aluno e/ou boa pessoa?
Opinião

Educar um país que ainda não aprendeu a reconhecer-se: Balanço Anual da Educação 2026

No centro de tudo, permanece uma pergunta essencial: estamos a educar para a convivência ou apenas para a coexistência? Numa escola cada vez mais plural, educar é mais do que ensinar conteúdos. É construir condições para que todos aprendam, independentemente do ponto de partida

Pensar

Fraternidade na decadência

Entre a exigência impossível de excelência e a imposição de uma docilidade quase servil, o professor passou de pilar da sociedade a figurante de um sistema que exige tudo e devolve pouco

Opinião

Algoritmos e fé: estamos a transformar a IA num Deus?

A questão que permanece — e talvez a mais inquietante — é esta: que liberdade subsiste quando delegamos progressivamente as nossas decisões numa inteligência exterior, ainda que criada por nós?

Cultura

Edgar Morin: habitar o mundo com lucidez

Num tempo dominado pela pressa, pela simplificação e pela ilusão de respostas imediatas, Morin foi sempre um resistente. Recusou a facilidade. Recusou o reducionismo. Recusou a tentação de transformar a complexidade da vida num discurso cómodo e domesticado

Opinião

A ilusão de Babel e a Comunicação Não Violenta

Num mundo onde se reage antes de pensar, a CNV reintroduz quatro gestos esquecidos: observar sem julgar, reconhecer sentimentos, identificar necessidades e formular pedidos claros. Não é uma técnica — é uma ética da relação

Opinião

A violência que não sai de casa e as marcas que não desaparecem

Mais de quatrocentas detenções, milhares de ocorrências, centenas de crianças sinalizadas no espaço de apenas três meses. Mas não são números. São casas onde o silêncio pesa como um presságio. São portas que se fecham com mais força do que o necessário, passos que ecoam no corredor e fazem gelar quem escuta

Pensar

O país que ama livros, mas despreza quem os escreve

Portugal continua a dizer que ama livros. Mas amar livros não chega. É preciso amar quem os escreve quando ainda ninguém os conhece. É preciso aceitar o risco da novidade. É preciso que a consagração venha acompanhada de memória, de gratidão e de responsabilidade

Opinião

Do prazer de cheirar livros e da tirania simpática do “muito sucesso”

O verdadeiro sucesso de um autor não acontece nas contas — acontece no leitor. E é, quase sempre, silencioso. O sucesso real é um acontecimento íntimo: alguém lê devagar, sublinha uma frase (e bem conheço quem o faça!), pousa o livro para pensar, regressa a uma página dias depois, sente que uma ideia lhe mexeu no sítio. Isto não cabe em rankings. Não dá para fotografar. Não dá para “partilhar” sem estragar. E, no entanto, é a única coisa que importa

Pensar

Bento de Espinosa, o filósofo necessário porque incomoda

Para Espinosa, a liberdade não é o gesto de quem faz o que quer, mas a maturidade de quem sabe por que quer o que faz

Opinião

A Tirania do Polegar: quando o silêncio se disfarça de resposta

Num tempo em que nunca se escreveu tanto, nunca se respondeu tão pouco. A conversa encurta, a atenção rareia e o gesto substitui a palavra. Entre o que é dito e o que é ignorado, ergue‑se um novo símbolo de poder discreto: o polegar levantado. Parece anuência, mas é omissão. Parece presença, mas é ausência. E nesse pequeno ícone cabe hoje uma parte inquietante da nossa pobreza relacional

Opinião

Editores e escritores: Quando escrever já não chega — e sair passa a ser um dever de dignidade

Os escritores da Grasset não resolveram o problema da concentração cultural. Mas fizeram uma coisa rara: mostraram que, a certa altura, escrever já não chega. E que sair, longe de ser um capricho, pode tornar‑se um dever

Sabe o que é uma relação bomba-relógio?
Opinião

Antes de julgar, compreender

O julgamento tem um custo altíssimo que raramente calculamos. No casal, cada julgamento é uma pequena traição à confiança. Na família, é um muro que se ergue entre gerações. No trabalho, é um veneno que contamina o clima organizacional. Entre amigos, é uma lâmina que corta os laços

Opinião

Saramago de fora das leituras obrigatórias: notas agnotológicas sobre um país que desaprende devagar

Num país onde as aprendizagens se reveem com a ligeireza de quem rearruma gavetas, a retirada de Saramago da lista de leituras obrigatórias soa menos a modernização do currículo e mais a um discreto aplauso à ignorância, que encontra nas escolas — e nas redes sociais — terreno fértil para florescer em silêncio

Pensar

O mito Banksy acabou?

Quanto mais tentam revelá-lo, mais percebemos que Banksy nunca foi uma pessoa: foi− e continua a ser − uma ideia.Uma ideia incómoda, deslocada, rebelde, mas sempre urgente

Durante dois dias, Matosinhos vai ser uma cidade-poema
Opinião

O silêncio dos versos vivos

No Dia Mundial da Poesia, celebramos os gigantes de mármore, mas ignoramos as vozes que tremem à porta das editoras. Portugal é terra de poetas? Só se forem de pedra

Opinião

Futurália 2026 terminou. Este é o balanço mais negativo — e coloca em causa a participação das escolas

O balanço, porém, não é de celebração: é negativo e coloca em causa a participação das escolas e a coerência da tutela, depois de um stand partidário ter exibido cartazes com as frases “Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)” e “Sorria, estamos a ser substituídos”, importando para dentro de um espaço educativo a narrativa da chamada “Grande Substituição

Opinião

Habermas: Quando a voz que nos ensinou a escutar se cala

Habermas não nos deu respostas fáceis. Deu-nos perguntas mais rigorosas

Opinião

Quando o mundo escolhe quem merece luto: a nossa cumplicidade na morte das crianças

Não existe equilíbrio ético possível enquanto aceitarmos que existam vítimas toleráveis e vítimas intoleráveis; enquanto permitirmos que a dor seja hierarquizada e a indignação, seletiva