José Paulo Santos

Poeta, professor e formador
Microplásticos presentes na água potável (ainda) são pouco perigosos para a saúde
Opinião

Alerta urgente: a água que ainda teimamos em desperdiçar

Não defendo uma cultura de privação. Defendo uma cultura de inteligência. Não precisamos de voltar ao meio balde de água para lavar um carro. Precisamos de aprender com a lógica que existe por detrás dele: usar apenas aquilo que é necessário

Pensar

Cem anos depois, Giverny volta a contar a história de Monet

O Monet que ressurge no centenário não é o mito, mas o homem – o que, para continuar a pintar, teve de aceitar que o pincel nem sempre pagava o pão

Opinião

A crónica: a estante mais silenciosa. Por José Paulo Santos

É aqui que nasce a crónica. Não da excecionalidade dos acontecimentos, mas da capacidade de descobrir significado onde quase todos passaram sem reparar

Opinião

Cuidado: Os livros infantis são perigosos

há poucas coisas mais inquietantes para qualquer poder do que um cidadão que aprendeu a fazer perguntas antes de aceitar respostas. É precisamente por isso que os livros infantis representam um caso particularmente grave

Pensar

O “Titanic” da Educação Portuguesa: Música no salão enquanto o casco rasga o futuro

Os icebergues são visíveis: manifestam-se na crise da atenção, na erosão da leitura, no desgaste dos professores, na fragilidade emocional dos jovens e na crescente dependência tecnológica

Opinião

Exames Nacionais: Três dias antes do fim do mundo

Quando o sistema educativo começa a depender do sacrifício silencioso dos professores para funcionar, já não estamos perante um problema de organização. Estamos perante um problema de dignidade

Opinião

Os relatórios sobre as escolas e os silêncios graves

Nunca se mediu tanto. Nunca se escreveu tanto sobre educação. E, no entanto, permanece uma pergunta desconfortável: sabemos realmente o que se passa dentro das escolas?

Opinião

Os Últimos Samurais e os Exames Nacionais em chamas

São os professores, ainda hoje, os últimos resistentes, não de forma épica aos olhos do mundo, mas profundamente heróica na intimidade silenciosa das salas de aula e no labor invisível da correção de exames

Pensar

A escola ferida: autoridade, silêncio e violência num tempo sem escuta

Neste tempo dominado por algoritmos, velocidade e virtualidade, talvez o gesto mais radical da educação seja simples: parar, escutar, estar. Criar, enfim, um espaço onde ninguém precise de recorrer ao desespero, à violência, para existir

Bom aluno e/ou boa pessoa?
Opinião

Educar um país que ainda não aprendeu a reconhecer-se: Balanço Anual da Educação 2026

No centro de tudo, permanece uma pergunta essencial: estamos a educar para a convivência ou apenas para a coexistência? Numa escola cada vez mais plural, educar é mais do que ensinar conteúdos. É construir condições para que todos aprendam, independentemente do ponto de partida

Pensar

Fraternidade na decadência

Entre a exigência impossível de excelência e a imposição de uma docilidade quase servil, o professor passou de pilar da sociedade a figurante de um sistema que exige tudo e devolve pouco

Opinião

Algoritmos e fé: estamos a transformar a IA num Deus?

A questão que permanece — e talvez a mais inquietante — é esta: que liberdade subsiste quando delegamos progressivamente as nossas decisões numa inteligência exterior, ainda que criada por nós?

Cultura

Edgar Morin: habitar o mundo com lucidez

Num tempo dominado pela pressa, pela simplificação e pela ilusão de respostas imediatas, Morin foi sempre um resistente. Recusou a facilidade. Recusou o reducionismo. Recusou a tentação de transformar a complexidade da vida num discurso cómodo e domesticado

Opinião

A ilusão de Babel e a Comunicação Não Violenta

Num mundo onde se reage antes de pensar, a CNV reintroduz quatro gestos esquecidos: observar sem julgar, reconhecer sentimentos, identificar necessidades e formular pedidos claros. Não é uma técnica — é uma ética da relação

Opinião

A violência que não sai de casa e as marcas que não desaparecem

Mais de quatrocentas detenções, milhares de ocorrências, centenas de crianças sinalizadas no espaço de apenas três meses. Mas não são números. São casas onde o silêncio pesa como um presságio. São portas que se fecham com mais força do que o necessário, passos que ecoam no corredor e fazem gelar quem escuta

Pensar

O país que ama livros, mas despreza quem os escreve

Portugal continua a dizer que ama livros. Mas amar livros não chega. É preciso amar quem os escreve quando ainda ninguém os conhece. É preciso aceitar o risco da novidade. É preciso que a consagração venha acompanhada de memória, de gratidão e de responsabilidade

Opinião

Do prazer de cheirar livros e da tirania simpática do “muito sucesso”

O verdadeiro sucesso de um autor não acontece nas contas — acontece no leitor. E é, quase sempre, silencioso. O sucesso real é um acontecimento íntimo: alguém lê devagar, sublinha uma frase (e bem conheço quem o faça!), pousa o livro para pensar, regressa a uma página dias depois, sente que uma ideia lhe mexeu no sítio. Isto não cabe em rankings. Não dá para fotografar. Não dá para “partilhar” sem estragar. E, no entanto, é a única coisa que importa

Pensar

Bento de Espinosa, o filósofo necessário porque incomoda

Para Espinosa, a liberdade não é o gesto de quem faz o que quer, mas a maturidade de quem sabe por que quer o que faz

Opinião

A Tirania do Polegar: quando o silêncio se disfarça de resposta

Num tempo em que nunca se escreveu tanto, nunca se respondeu tão pouco. A conversa encurta, a atenção rareia e o gesto substitui a palavra. Entre o que é dito e o que é ignorado, ergue‑se um novo símbolo de poder discreto: o polegar levantado. Parece anuência, mas é omissão. Parece presença, mas é ausência. E nesse pequeno ícone cabe hoje uma parte inquietante da nossa pobreza relacional

Opinião

Editores e escritores: Quando escrever já não chega — e sair passa a ser um dever de dignidade

Os escritores da Grasset não resolveram o problema da concentração cultural. Mas fizeram uma coisa rara: mostraram que, a certa altura, escrever já não chega. E que sair, longe de ser um capricho, pode tornar‑se um dever

Sabe o que é uma relação bomba-relógio?
Opinião

Antes de julgar, compreender

O julgamento tem um custo altíssimo que raramente calculamos. No casal, cada julgamento é uma pequena traição à confiança. Na família, é um muro que se ergue entre gerações. No trabalho, é um veneno que contamina o clima organizacional. Entre amigos, é uma lâmina que corta os laços