PISA 2025: Quando a escola já não tem tempo para pensar
Queremos professores capazes de iluminar uma matéria, estabelecer relações inesperadas, despertar uma pergunta, trazer um livro, experimentar uma abordagem diferente, perceber o silêncio de um aluno, inventar uma aula memorável; mas enchemos-lhes o tempo de tarefas que pouco ou nada têm a ver com o momento decisivo em que a aprendizagem acontece: aquele em que um ser humano tenta abrir outra inteligência humana
Os homens também morrem de amor
Há homens que não choram quando uma mulher parte. Continuam a trabalhar, conduzem, respondem a mensagens, fazem compras, cozinham, sorriem quando é necessário. Apenas deixam de viver em algumas divisões secretas de si mesmos, sem que ninguém repare
É urgente plantar sombra
O banco não é um mobiliário menor: é uma infraestrutura geriátrica ao ar livre, uma receita passada em madeira e sombra. Uma praça assim faz mais pelo envelhecimento saudável do que muitas campanhas: tira o idoso de casa, dá-lhe destino, protege-o do calor e da solidão
Morreu Yayoi Kusama: as bolinhas ficam
Tinha 97 anos e continuou a pintar até aos últimos dias. Esta é a imagem que devemos guardar dela: não a mulher que desapareceu, mas a mulher que continuou a criar
As mulheres que querem conservar o quê?
O novo conservadorismo feminino, a disputa pelo corpo das mulheres e o perigo de transformar a tradição em destino
Konstantinos Tsoukalas: o "nós todos" contra a noite
Obrigado, Tsoukalas. A tua voz continuará a ecoar nos corredores da nossa consciência coletiva, como um lembrete discreto e urgente: em cada encruzilhada do tempo, a escolha é sempre a mesma. Entre o "nós todos" e o "ninguém", sejamos dignos da primeira palavra
Alerta urgente: a água que ainda teimamos em desperdiçar
Não defendo uma cultura de privação. Defendo uma cultura de inteligência. Não precisamos de voltar ao meio balde de água para lavar um carro. Precisamos de aprender com a lógica que existe por detrás dele: usar apenas aquilo que é necessário
Cem anos depois, Giverny volta a contar a história de Monet
O Monet que ressurge no centenário não é o mito, mas o homem – o que, para continuar a pintar, teve de aceitar que o pincel nem sempre pagava o pão
A crónica: a estante mais silenciosa. Por José Paulo Santos
É aqui que nasce a crónica. Não da excecionalidade dos acontecimentos, mas da capacidade de descobrir significado onde quase todos passaram sem reparar
Cuidado: Os livros infantis são perigosos
há poucas coisas mais inquietantes para qualquer poder do que um cidadão que aprendeu a fazer perguntas antes de aceitar respostas. É precisamente por isso que os livros infantis representam um caso particularmente grave
O “Titanic” da Educação Portuguesa: Música no salão enquanto o casco rasga o futuro
Os icebergues são visíveis: manifestam-se na crise da atenção, na erosão da leitura, no desgaste dos professores, na fragilidade emocional dos jovens e na crescente dependência tecnológica
Exames Nacionais: Três dias antes do fim do mundo
Quando o sistema educativo começa a depender do sacrifício silencioso dos professores para funcionar, já não estamos perante um problema de organização. Estamos perante um problema de dignidade
Os relatórios sobre as escolas e os silêncios graves
Nunca se mediu tanto. Nunca se escreveu tanto sobre educação. E, no entanto, permanece uma pergunta desconfortável: sabemos realmente o que se passa dentro das escolas?
Os Últimos Samurais e os Exames Nacionais em chamas
São os professores, ainda hoje, os últimos resistentes, não de forma épica aos olhos do mundo, mas profundamente heróica na intimidade silenciosa das salas de aula e no labor invisível da correção de exames
A escola ferida: autoridade, silêncio e violência num tempo sem escuta
Neste tempo dominado por algoritmos, velocidade e virtualidade, talvez o gesto mais radical da educação seja simples: parar, escutar, estar. Criar, enfim, um espaço onde ninguém precise de recorrer ao desespero, à violência, para existir
Educar um país que ainda não aprendeu a reconhecer-se: Balanço Anual da Educação 2026
No centro de tudo, permanece uma pergunta essencial: estamos a educar para a convivência ou apenas para a coexistência? Numa escola cada vez mais plural, educar é mais do que ensinar conteúdos. É construir condições para que todos aprendam, independentemente do ponto de partida
Fraternidade na decadência
Entre a exigência impossível de excelência e a imposição de uma docilidade quase servil, o professor passou de pilar da sociedade a figurante de um sistema que exige tudo e devolve pouco
Algoritmos e fé: estamos a transformar a IA num Deus?
A questão que permanece — e talvez a mais inquietante — é esta: que liberdade subsiste quando delegamos progressivamente as nossas decisões numa inteligência exterior, ainda que criada por nós?
Edgar Morin: habitar o mundo com lucidez
Num tempo dominado pela pressa, pela simplificação e pela ilusão de respostas imediatas, Morin foi sempre um resistente. Recusou a facilidade. Recusou o reducionismo. Recusou a tentação de transformar a complexidade da vida num discurso cómodo e domesticado
A ilusão de Babel e a Comunicação Não Violenta
Num mundo onde se reage antes de pensar, a CNV reintroduz quatro gestos esquecidos: observar sem julgar, reconhecer sentimentos, identificar necessidades e formular pedidos claros. Não é uma técnica — é uma ética da relação