Os relatórios sobre as escolas e os silêncios graves
Nunca se mediu tanto. Nunca se escreveu tanto sobre educação. E, no entanto, permanece uma pergunta desconfortável: sabemos realmente o que se passa dentro das escolas?
Os Últimos Samurais e os Exames Nacionais em chamas
São os professores, ainda hoje, os últimos resistentes, não de forma épica aos olhos do mundo, mas profundamente heróica na intimidade silenciosa das salas de aula e no labor invisível da correção de exames
A escola ferida: autoridade, silêncio e violência num tempo sem escuta
Neste tempo dominado por algoritmos, velocidade e virtualidade, talvez o gesto mais radical da educação seja simples: parar, escutar, estar. Criar, enfim, um espaço onde ninguém precise de recorrer ao desespero, à violência, para existir
Educar um país que ainda não aprendeu a reconhecer-se: Balanço Anual da Educação 2026
No centro de tudo, permanece uma pergunta essencial: estamos a educar para a convivência ou apenas para a coexistência? Numa escola cada vez mais plural, educar é mais do que ensinar conteúdos. É construir condições para que todos aprendam, independentemente do ponto de partida
Fraternidade na decadência
Entre a exigência impossível de excelência e a imposição de uma docilidade quase servil, o professor passou de pilar da sociedade a figurante de um sistema que exige tudo e devolve pouco
Algoritmos e fé: estamos a transformar a IA num Deus?
A questão que permanece — e talvez a mais inquietante — é esta: que liberdade subsiste quando delegamos progressivamente as nossas decisões numa inteligência exterior, ainda que criada por nós?
Edgar Morin: habitar o mundo com lucidez
Num tempo dominado pela pressa, pela simplificação e pela ilusão de respostas imediatas, Morin foi sempre um resistente. Recusou a facilidade. Recusou o reducionismo. Recusou a tentação de transformar a complexidade da vida num discurso cómodo e domesticado
A ilusão de Babel e a Comunicação Não Violenta
Num mundo onde se reage antes de pensar, a CNV reintroduz quatro gestos esquecidos: observar sem julgar, reconhecer sentimentos, identificar necessidades e formular pedidos claros. Não é uma técnica — é uma ética da relação
A violência que não sai de casa e as marcas que não desaparecem
Mais de quatrocentas detenções, milhares de ocorrências, centenas de crianças sinalizadas no espaço de apenas três meses. Mas não são números. São casas onde o silêncio pesa como um presságio. São portas que se fecham com mais força do que o necessário, passos que ecoam no corredor e fazem gelar quem escuta
O país que ama livros, mas despreza quem os escreve
Portugal continua a dizer que ama livros. Mas amar livros não chega. É preciso amar quem os escreve quando ainda ninguém os conhece. É preciso aceitar o risco da novidade. É preciso que a consagração venha acompanhada de memória, de gratidão e de responsabilidade
Do prazer de cheirar livros e da tirania simpática do “muito sucesso”
O verdadeiro sucesso de um autor não acontece nas contas — acontece no leitor. E é, quase sempre, silencioso. O sucesso real é um acontecimento íntimo: alguém lê devagar, sublinha uma frase (e bem conheço quem o faça!), pousa o livro para pensar, regressa a uma página dias depois, sente que uma ideia lhe mexeu no sítio. Isto não cabe em rankings. Não dá para fotografar. Não dá para “partilhar” sem estragar. E, no entanto, é a única coisa que importa
Bento de Espinosa, o filósofo necessário porque incomoda
Para Espinosa, a liberdade não é o gesto de quem faz o que quer, mas a maturidade de quem sabe por que quer o que faz
A Tirania do Polegar: quando o silêncio se disfarça de resposta
Num tempo em que nunca se escreveu tanto, nunca se respondeu tão pouco. A conversa encurta, a atenção rareia e o gesto substitui a palavra. Entre o que é dito e o que é ignorado, ergue‑se um novo símbolo de poder discreto: o polegar levantado. Parece anuência, mas é omissão. Parece presença, mas é ausência. E nesse pequeno ícone cabe hoje uma parte inquietante da nossa pobreza relacional
Editores e escritores: Quando escrever já não chega — e sair passa a ser um dever de dignidade
Os escritores da Grasset não resolveram o problema da concentração cultural. Mas fizeram uma coisa rara: mostraram que, a certa altura, escrever já não chega. E que sair, longe de ser um capricho, pode tornar‑se um dever
Antes de julgar, compreender
O julgamento tem um custo altíssimo que raramente calculamos. No casal, cada julgamento é uma pequena traição à confiança. Na família, é um muro que se ergue entre gerações. No trabalho, é um veneno que contamina o clima organizacional. Entre amigos, é uma lâmina que corta os laços
Saramago de fora das leituras obrigatórias: notas agnotológicas sobre um país que desaprende devagar
Num país onde as aprendizagens se reveem com a ligeireza de quem rearruma gavetas, a retirada de Saramago da lista de leituras obrigatórias soa menos a modernização do currículo e mais a um discreto aplauso à ignorância, que encontra nas escolas — e nas redes sociais — terreno fértil para florescer em silêncio
O mito Banksy acabou?
Quanto mais tentam revelá-lo, mais percebemos que Banksy nunca foi uma pessoa: foi− e continua a ser − uma ideia.Uma ideia incómoda, deslocada, rebelde, mas sempre urgente
O silêncio dos versos vivos
No Dia Mundial da Poesia, celebramos os gigantes de mármore, mas ignoramos as vozes que tremem à porta das editoras. Portugal é terra de poetas? Só se forem de pedra
Futurália 2026 terminou. Este é o balanço mais negativo — e coloca em causa a participação das escolas
O balanço, porém, não é de celebração: é negativo e coloca em causa a participação das escolas e a coerência da tutela, depois de um stand partidário ter exibido cartazes com as frases “Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)” e “Sorria, estamos a ser substituídos”, importando para dentro de um espaço educativo a narrativa da chamada “Grande Substituição
Habermas: Quando a voz que nos ensinou a escutar se cala
Habermas não nos deu respostas fáceis. Deu-nos perguntas mais rigorosas
Quando o mundo escolhe quem merece luto: a nossa cumplicidade na morte das crianças
Não existe equilíbrio ético possível enquanto aceitarmos que existam vítimas toleráveis e vítimas intoleráveis; enquanto permitirmos que a dor seja hierarquizada e a indignação, seletiva