José Paulo Santos
Cem anos depois, Giverny volta a contar a história de Monet
O Monet que ressurge no centenário não é o mito, mas o homem – o que, para continuar a pintar, teve de aceitar que o pincel nem sempre pagava o pão
A escola ferida: autoridade, silêncio e violência num tempo sem escuta
Neste tempo dominado por algoritmos, velocidade e virtualidade, talvez o gesto mais radical da educação seja simples: parar, escutar, estar. Criar, enfim, um espaço onde ninguém precise de recorrer ao desespero, à violência, para existir
O país que ama livros, mas despreza quem os escreve
Portugal continua a dizer que ama livros. Mas amar livros não chega. É preciso amar quem os escreve quando ainda ninguém os conhece. É preciso aceitar o risco da novidade. É preciso que a consagração venha acompanhada de memória, de gratidão e de responsabilidade
Bento de Espinosa, o filósofo necessário porque incomoda
Para Espinosa, a liberdade não é o gesto de quem faz o que quer, mas a maturidade de quem sabe por que quer o que faz
Teresa Gonçalves Lobo e a síndrome de Stendhal
A síndrome de Stendhal explica-se com sintomas, literatura médica e estudos psicológicos, mas não se explica no instante em que a alma se expande mais depressa do que o corpo consegue acompanhar
Os afetos de Espinosa e Montaigne no tempo da Inteligência Artificial
Num mundo onde se fala para vencer e não para compreender, a simples disposição para escutar o outro – com as suas contradições, com as suas feridas – torna-se um ato subversivo. A IA pode imitar a ternura, mas não pode habitá-la
270 anos depois Lisboa ainda treme – e a democracia também
Voltaire viu com clareza: o medo gera fanatismo; a incerteza alimenta o desejo de certezas absolutas. Mas, em vez de ceder a elas, propôs outra via: a do trabalho paciente da razão, da crítica, da reforma gradual
Bem-vindos à era da nowstalgia
Quando o medo do futuro nos faz viver no passado que afinal nunca existiu
As escolas podem ser jardins de sabedoria cruzada
O envelhecimento da classe docente não tem de ser uma tragédia. Pode até ser uma oportunidade para mudar o sistema de ensino. Como demonstram alguns exemplos no estrangeiro
O orgulho de falar português
Quando um português parte para o Canadá, um brasileiro se estabelece em Portugal, um angolano leva a sua poesia para Paris ou um timorense ensina o português em Darwin, não está apenas a adaptar-se - está a expandir um universo simbólico
O preço da proteção: quando o amor se transforma em exclusão
O discurso populista desloca a responsabilidade, a culpa. Aponta para quem é mais fraco, mais visível, mais fácil de estigmatizar