Antes que pensem que esta é uma pergunta esotérica, deixem-me explicar.
Primeiro, há, hoje, um vasto leque de artigos científicos dedicados ao estudo de como inferir o bem-estar e a felicidade das nações e indivíduos através das redes sociais. Em particular, através da análise do que estão as pessoas a dizer nas redes, a cada momento, expressando bons ou maus sentimentos, ou usando palavras com conotações positivas ou negativas (sentiment analysis), muitas vezes à boleia de acontecimento relevantes, sejam eles políticos, desportivos ou outros. Outras vezes, comparando com condições socioeconómicas objetivas.
Há quem esteja a usar big data, Inteligência Artificial a analisar diferentes redes sociais (embora a política de open source do Twitter tenha acabado com a passagem para o X).
E há, depois, o enorme tópico de estudo dos efeitos (positivos ou negativos) da utilização das redes sociais na felicidade, nomeadamente nos jovens, que até tem originando movimentações de política, com muitos países a proibirem o uso dessas redes nas escolas e para menores de 16 anos.
Enfim, captar a felicidade das pessoas através das redes sociais e conhecer o impacto das redes sociais nas pessoas são, hoje, tópicos muito sérios de análise científica.
Segundo, o acontecimento mediático do momento, ou seja, o abandono de Cristiano Ronaldo da seleção portuguesa de futebol, é um interessante evento para fazer estas análises.
Para começar, podia-se estudar o que está a acontecer ao bem-estar dos portugueses através das suas manifestações nas redes sociais.
Depois, pensar seriamente sobre o fundo desta questão: estarão os portugueses mais ligados emocionalmente ao gigante mediático e lenda futebolística Cristiano Ronaldo ou à selecção que ostenta a bandeira de Portugal, independentemente de quem nela joga?
Se a pergunta fosse estendida ao nível planetário, a resposta era óbvia: os não portugueses deixarão de se interessar pela nossa seleção no dia em que CR7 a abandonar.
Mas, para os portugueses, a resposta é mais complexa: embora muitos o idolatrem e perceba-se o impacto financeiro que os seus seguidores arrastam, será que a sua ausência ditará o fim das conquistas da seleção, ou será possível percorremos o caminho da seleção espanhola, que não precisa de Messis ou Ronaldos para ser bicampeã mundial e tetracampeã europeia? Seremos mais felizes com uma federação com mais seguidores, ou com mais vitórias? Ou só conseguiremos ter mais vitórias se tivermos mais seguidores? Tudo questões que só o futuro vai responder.
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