Portugal tem um problema sério — e poucos o dizem de forma direta: penalizamos quem quer mais.
Num país onde o sucesso é frequentemente olhado com desconfiança, a ambição com cinismo, e o dinheiro com preconceito, torna-se difícil criar um ambiente onde o talento quer, de facto, ficar.
Enquanto outros países premiam o mérito e criam condições para que os melhores cresçam, Portugal continua a erguer barreiras fiscais, burocráticas e até culturais a quem se destaca.
Um jovem talento em Portugal que queira empreender ou simplesmente progredir na carreira depara-se com um sistema fiscal que penaliza o sucesso. Quanto mais trabalha, mais lhe é retirado. Fala-se de progressividade fiscal, mas o que existe muitas vezes é desincentivo puro à ambição.
Culturalmente, ainda se recompensa a mediocridade. A promoção é desconfiada. A ambição é confundida com arrogância. Celebrar o sucesso alheio ainda não é parte do nosso ADN coletivo.
E com tudo isto, perguntamos: porque é que os melhores saem? Porque é que o talento vai para fora?
A resposta está à vista. Não basta dizer que queremos reter talento, atrair investimento ou inovar. É preciso criar um país onde vale a pena crescer. Onde a ambição é vista como virtude. Onde os que querem mais não são travados, mas puxam os outros com eles.
Se Portugal quer competir com os melhores, precisa de mudar a forma como trata quem quer ser o melhor. Porque quem tem talento, hoje, tem escolha. E o mundo está cheio de países dispostos a recebê-lo — com menos impostos, mais liberdade, e sobretudo, mais respeito por quem se atreve a ambicionar.
Ambição não é o problema. É a única solução.
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