Redação, 06 fev (Lusa) – O escritor Miguel Real afirma, no seu “Manifesto em defesa de uma morte livre”, que “a legalização da eutanásia” devia ser “juridicamente enquadrada nos deveres do médico”.
“A legalização da eutanásia não choca com a conceção de vida como direito fundamental, devendo ser juridicamente enquadrada nos deveres do médico”, e cita a obra “Novum Organun”, de Francis Bacon, que defende que, “além de curar as maleitas do corpo”, o médico “deveria igualmente propiciar uma morte ‘doce'”.
O escritor esclarece que Bacon “não preconizava a eutanásia como hoje a entendemos”, encarando-a antes “como uma preparação filosófica mental e física para a morte”, mas Miguel Real argumenta que o direito à vida é um direito natural e este “é equivalente e conducente ao direito à integridade física, o que de facto não acontece aos pacientes em estado irremediável e irrevogável”, para quem defende uma “morte livre”.