TU foi a forma como a maioria dos escritores se trataram, poucos formalismo e muito à vontade e boa disposição marcaram estes quatros dias de divulgação literária nesta terra à beira-mar que conquistou a maioria dos cerca de 65 escritores de 12 países que estiveram presentes. A grande homenageada este ano foi a escritora poveira Luísa Dacosta a quem foi dedicada a décima Revista Correntes d’Escritas.
ELE/ELA o escritor/a, as pessoas que nos levam a mundos distantes por caminhos distintos. São mágicos que nos transportam pela máquina do tempo que é cada um dos livros que produzem. No Correntes, Ivo Machado, Miguel Miranda, Mário Sousa Pinheiro, Luís Silva, Ricardo Menéndez Salmón, Maria João Martins, Yvette K. Centeno, António Figueira, Maria Manuel Viana, Ignacio del Valle, Kirmen Uribe, Maria Teresa Horta, Aida Gomes, David Machado, José Jorge Letria, Ricardo Romero, Ignácio Martinez de Pisón, Francisco Duarte Mangas, Alberto Torres Blandina, Karla Suarez, José Manuel Fajardo, Paulo Ferreira, César Ibáñez Paris, Pedro Vieira, João Paulo Borges Coelho, Conceição Lima, João Paulo Cuenca, Nuno Júdice e Onésimo Teotónio Almeida apresentaram as suas máquinas do tempo que nos vão transportar para o passado e para o futuro e envolver nas histórias, nos retratos e nos testemunhos neles descritos.
NÓS também assistimos a nove mesas cada uma com um mote (e não tema, como Rui Zink fez questão de afirmar) que alguns escritores já habituados a participar neste evento constataram que foram dos motes mais difíceis das edições do Correntes d’Escritas. Podemos lembrar os três primeiros motes: “Falta futuro a quem tem no presente as ambições / passadas” onde Fernando Pinto Amaral referiu que esta questão da temporalidade pode tornar-se obsessiva para alguns autores e que a relação da literatura com o real toca muito na questão do passado e do futuro. Eduardo Lourenço afirmou que “O tempo é uma realidade irreal“. Na segunda mesa “Eu começo depois da escrita” o brasileiro João Paulo Cuenca disse que quando acaba um livro o leitor torna-se tão importante quanto o escritor e, como tal, o nome do leitor devia vir na capa porque cada leitor lê e escreve um livro diferente de cada vez que o lê. A colega de mesa, Karla Suarez, revelou que a ficção e as personagens vêm sempre primeiro, só depois vem a escritora. Já terceira mesa com o mote “A minha arte é uma espécie de pacto” teve um escritor que se destacou por estarmos habituados a conhecê-lo como cantor: Luís Represas, que depois de autor de letras de música passou a autor de um conto infanto-juvenil. Também ele fez um pacto com a arte que produz: “eu não me meto com ela e ela não se mete comigo”.
VÓS ficais também a saber que no Correntes d’Escritas houvei paralelas com sessões com escolas sob o tema “Procuro a palavra”. As crianças e jovens procuraram as palavras dos autores fazendo perguntas atrás de perguntas às quais os escritores afavelmente quiseram responder.
No primeiro dia de correntes literárias as crianças do Colégio das Terras de Sta. Maria deslocaram-se até ao Diana Bar e estiveram à conversa com Ana Luísa Amaral. Assim, ficamos a saber que já nos tempos livres de infância Ana Luísa Amaral dedicava-se sempre à escrita. Que nos livros que escreve não conta a história da sua vida mas o que vive está na sua escrita. A filha é uma das grandes inspirações da escritora que enquanto puder pegar numa caneta fina ou num lápis bem afiado continuará a escrever. O prémio que Ana Luísa Amaral recebeu que lhe causou maior emoção foi o que ganhou no Correntes d’Escritas, o Prémio Literário Casino da Póvoa, em 2007. De facto, nas sessões de encerramento deste encontro de escritores de expressão ibérica são entregues prémios literários.
Nesta 12ª edição, o grande Prémio Literário Casino da Póvoa foi atribuído a Pedro Tamen com O livro do sapateiro. A vencedora do Prémio Literário Correntes d’Escritas/ Papelaria Locus foi Ana Filipa Cravina dos Reis, pelo poema Esquecimento.
O Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas/Porto Editora, um prémio colectivo que visa promover a união entre os estudantes, coube a seis alunos da Turma 15 da Escola EB1/JI de Medo, de Riba de Âncora, Vila Praia de Âncora, pelo trabalho intitulado O Sonho da Violeta. O segundo prémio foi entregue aos alunos da Turma 40, do Centro Educativo do Cávado – Monsul, de Póvoa de Lanhoso, com Uma Aventura no Castelo de Lanhoso. Já o terceiro lugar foi para a Turma A, da Escola EB1 de Cadilhe, Amorim, da Póvoa de Varzim, com Uns Peluches Especiais. Também foram atribuídas menções honrosas aos alunos do 4º ano do Colégio da Arrábida – Azeitão, Setúbal, pelo conto ilustrado O Planeta Amarelo e aos alunos do 4º ano da Turma 9 da Escola EB1 de Nogueira, Braga, pelo texto de O Verdadeiro Natal.
Ana Paula Braga Morais Mateus venceu o Prémio Fundação Dr. Luís Rainha, com o trabalho Sete estórias do vento salgado. No contexto deste prémio também foram atribuídas duas menções honrosas: a Pedro Manuel Martins Baptista, pelo trabalho Indícios para um cântico poveiro e a José António Ribeiro de Azevedo, com o trabalho Patrão Lagoa – o sonho de ser Cabo-do-Mar.
ELES/ELAS, os que já partiram, que um dia estiveram e hoje não estão, os que criaram e hoje são apreciados não foram esquecidos. Carlos Pinto Coelho, jornalista, e Malangatana, pintor, falecidos em 2010, foram lembrados por todos os eles e elas que estiveram presentes na cerimónia de encerramento desta 12ª edição do Correntes d’Escritas.
Literatura não é só palavras, também é sentimento.