Se isto não é um cachimbo, o que raio é?
Cogitava intrigadíssimo aquele crítico de arte em início de carreira, mas já com coluna montada num diário de referência e subsídio do Ministérios da Artes para fazer uma tese sobre o cachimbo de Magrite.
– Talvez seja a representação de um cachimbo – informou a mulher da limpeza que por ali espanejava uma estátua pensadora de Rodin.
– Que disparate, sentenciou o crítico de arte. Tem todo o ar de ser uma peça ritual. É isso, é uma expressão de ritualidade primordial. O Magritte tinha uma queda para a alquimia e para o absinto.
– Por fim, aquele conciliábulo terminou com a explicação mais simples, dada por uma das meninas de totós (como num quadro de Velasquez) que por ali passava.
-Se não é um cachimbo, então é uma máquina de fazer bolas de sabão.
Estarrecido e humilhado, o crítico abandonou a Arte e passou a dedicar-se à legendagem de filmes pornográficos e a beber absinto nas horas vagas, que eram muitas.