Esta sexta-feira, 14, Luís Montenegro voltará a ser o orador principal na Festa do Pontal. Em 2025, enquanto o primeiro-ministro discursava, no seu impecável bronzeado de férias, as televisões dividiam o ecrã com os fogos florestais – e o pânico das populações afetadas – que, ao mesmo tempo, e ao vivo, alarmavam boa parte do resto do País. Os critérios jornalísticos são sempre discutíveis e, no caso concreto, especialmente discutidos – Montenegro não deixou de se vitimizar – mas, objetivamente, o episódio destruiu os eventuais efeitos da mensagem política que o líder do PSD quereria passar. Este ano, quer o ritual do “festival de verão” do PSD quer a “medição” das palavras do líder serão cuidadosamente adaptados às circunstâncias que se viverem no final de tarde desta sexta-feira e tudo será meticulosamente preparado, tendo em conta, também, o ambiente que se vive no País, depois dos recentes casos dos exames e do MAI. Precavendo e pressentindo a alegada “maledicência” associada ao veraneio do chefe do Governo, enquanto as famílias se deparam com a incerteza do acesso dos seus filhos ao Ensino Superior, com o MAI (aliás, com a tutela do combate aos incêndios) a “cozinhar” no seu próprio lume brando e a dívida pública a interromper a sua trajetória de recuperação, e depois das idas aos EUA, para assistir a jogos da Seleção Nacional, enquanto a primeira vaga de fogos florestais assolava o interior-centro do País, Montenegro anunciou: “Este ano, não vou tirar férias!” Dias depois, os sempre atentos paparazzi do jornal Correio da Manhã apanhavam o primeiro-ministro a banhos, num dia de semana, acompanhado, entre familiares e amigos, pelo seu braço direito no partido e no Parlamento, Hugo Soares. Afinal, Montenegro disse que não tiraria férias, mas nunca fez qualquer referência ao direito de gozar uma ou outra folga semanal. De repente, com os eventos dos últimos dois anos, as férias dos políticos (que, de qualquer forma, nunca puderam realmente “desligar”), antes vistas como fonte de fait divers, passaram a ter uma renovada importância na política séria. Mas terá sido sempre assim? Surpreendentemente, a resposta é afirmativa, como veremos já nas próximas linhas.
Oliveira Salazar
