A pandemia levou ao confinamento e o confinamento ao teletrabalho, deixando muitos edifícios de escritórios desertos e muitas decisões adiadas para a contratação de novos espaços. Não admira pois que, mesmo no Porto, a dinâmica fulgurante que se vivia no período pré-Covid no mercado de escritórios da Invicta se ressentisse. Contas feitas pela consultora Predibisa mostram que a área arrendada de escritórios na região do Grande Porto sofreu uma redução de 17% em 2020 em comparação com o ano anterior. Ou seja, 53.856m² versus 64.981 m².
Apesar da redução em termos absolutos, verificou-se que as empresas que se mantiveram firmes no arrendamento de novos espaços optaram por áreas maiores. “Apesar da transformação digital e do teletrabalho, as empresas continuam a procurar novos espaços (com zonas de lazer para reforçar a interação social e o espírito de equipa) para que os colaboradores regressem ao espaço de escritório no curto prazo, acreditando que este é o local de desenvolvimento da empresa, ainda que adaptado à realidade”, referiu João Leite Castro, diretor do departamento “corporate” da Predibisa.
O início de 2021, com o novo período de confinamento geral, voltou-se a sentir o adiamento na tomada de decisões, admite o responsável, acrescentando, contudo, manter a confiuança numa retoma rápida em sintonia com o avançar do programa de vacinação anti-Covid.
A cidade do Porto e nomeadamente a zona do “Central Business District” da Boavista foi a responsável pelo maior número de operações registadas na área total de escritórios do Grande Porto (13.638m²), seguindo-se o “Central Business District – CBD da Baixa” com 9.576m²; a zona Oriental com 8.602m²; Paranhos com 7.846m² e a “ZEP (zona empresarial do porto)” com um total de 512m².
Ainda na região do Grande Porto, mas fora do centro da cidade, é na zona de Matosinhos, que se verificou o maior número de operações realizadas (11 no total, igual a uma área de 8.185m²); seguindo-se Vila Nova de Gaia com 3.933m² e 5 operações, e por último a Maia com apenas uma operação e 1.564m² colocados.
“O estatuto de elevada atratividade que a cidade do Porto tem presentemente nos mercados externos potencia a captação de investimentos estrangeiros para a região. Assim, a dinâmica atual do mercado escritórios é sustentada pelo surgimento de novos projetos, que trazem modernidade e uma qualidade superior à oferta existente e que vai de encontro às necessidades das empresas atuais com a rápida ocupação dos novos edifícios”, explica ainda o responsável da Predibisa.
Entre os principais fatores de procura dos novos espaços de escritórios na região está sobretudo a necessidade de expansão de área (cerca de 56% das empresas); a mudança de instalações (31%) e a instalação de novas empresas na cidade do Porto (13%), que cresceu aproximadamente 40% comparativamente a 2019.