A Libbey, vidreira norte-americana que detém a fábrica de vidro de mesa Crisal na Marinha Grande, anunciou um pedido de proteção contra credores, depois de a crise da Covid-19 ter afetado alguns dos seus principais clientes, como restaurantes e bares, dificultando ainda mais o pagamento de dívidas e o acesso a crédito. As operações em Portugal não estão em causa: “As subsidiárias internacionais da Libbey no Canadá, México, Países Baixos e Portugal não estão incluídas nos procedimentos [ao abrigo do] Capítulo 11 e estão a operar normalmente,” garante a empresa.
Num comunicado colocado no site da vidreira, a companhia diz esperar que o processo de reestruturação (que será acompanhado pelo tribunal, ao abrigo do capítulo 11 do código de insolvências dos EUA) possa ajudar a reforçar a posição financeira da companhia, enquanto negoceia com os credores – tem cerca de $400 milhões em dívida de longo prazo e ativos de $500 milhões. Na calha estará já um possível financiamento de $160 milhões, refere.
Portugal é um dos poucos países fora dos EUA onde a Libbey está presente com atividade produtiva, além do México, dos Países Baixos e da China. Em 2005 a Libbey Europa (com sede nos Países Baixos) comprou a Crisal à Vista Alegre Atlantis, um negócio que na altura estava avaliado em €17,2 milhões segundo o Público, um processo que tinha decorrido no âmbito da reestruturação da Vista Alegre Atlantis.
No último mês de abril, o Jornal de Leiria noticiou a paragem de duas das seis linhas de produção da Crisal e a possibilidade de recurso da empresa ao lay-off devido à redução de atividade por causa da Covid-19. “Com a forte redução nas vendas e previsível redução de produção, estamos a preparar este cenário por forma a permitir manter os empregos, o rendimento dos colaboradores e o futuro da empresa,” dizia uma fonte da Crisal àquele jornal. A perspetiva era de que, após o lay-off e o confinamento, se assistisse a uma recuperação gradual da atividade a partir de junho.
Fundada em 1944, a Crisal – Cristalaria Automática produz copos, canecas e cálices e contava com 364 empregados no final de 2018, segundo o site da Informa D&B. Nesse ano, faturou quase €57 milhões e registou lucros de €3,48 milhões, fechando o ano com um passivo de €14,15 milhões e €27,6 milhões de capital próprio.
As origens da Libbey remontam, segundo a Bloomberg, à New England Glass Company, fundada no Massachusetts em 1818. Tem duas fábricas nos EUA, no Ohio e no Louisiana, e conta, em todo o mundo, com mais de 5.500 funcionários.