Dias depois de o relatório do IPCC confirmar a enorme influência humana no aquecimento global, o tema das alterações climáticas voltou em força à ordem do dia. O jornalista José Gomes Ferreira sugeriu, durante o programa Negócios da Semana, da SIC, que, para além das causas humanos, “o deslocamento dos polos magnéticos da Terra, nomeadamente o polo situado mais a norte, que já está sobre a Sibéria e deslocado do seu polo geográfico”, pode contribuir para as alterações climáticas.
A ciência não corrobora esta teoria.
A Terra está rodeada por um campo magnético, designado de magnetosfera, que protege o planeta da radiação solar e de partículas cósmicas nocivas, mas pode mudar em resposta ao clima espacial que chega do Sol.
As forças que geram o campo magnético da Terra estão em constante mudança e, por consequência, o próprio campo também tem um fluxo contínuo, fazendo com que a força aumente e diminua com o tempo. Assim sendo, a localização dos polos magnéticos norte e sul da Terra muda gradualmente e até pode inverter completamente a sua localização a cada 300 mil anos ou mais.
Tal fenómeno pode influenciar a orientação das bússolas ou de certos animais, como pássaros, peixes e tartarugas marinhas, cujas bússolas internas usam o campo magnético da Terra para se orientar.
A NASA examinou uma série de hipóteses sobre os efeitos das mudanças no campo magnético da Terra para o clima e mostrou como essa alteração não tem impacto climático.
A posição do polo norte magnético da Terra foi precisamente localizada pela primeira vez em 1831. Desde então, desvia-se gradualmente entre norte e noroeste ao longo de 1 100 quilómetros, mas não há uma evidência científica entre a deslocação dos polos magnéticos flutuantes e o clima.
Uma outra situação que pode ocorrer é a reversão do polo, em que os polos magnéticos norte e sul da Terra trocam de localização. Este fenómeno é comum na história geológica da Terra. Nos últimos 83 milhões de anos, de acordo com registos paleomagnéticos, os pólos da Terra inverteram-se 183 vezes. Os intervalos de tempo entre as reversões não são fixos e a última ocorreu há cerca de 780 mil anos.
Quando ocorre uma inversão do polo, o campo magnético enfraquece, mas não desaparece completamente, continuando a proteger o planeta. Nestas situações pode ser confuso identificar os polos, porque podem surgir em locais inesperados.
Nos últimos 200 anos, o campo magnético da Terra enfraqueceu cerca de 9% numa média global.
Amostras de sedimentos das profundezas do oceano indicam que a atividade glacial era estável, na última grande reversão dos polos. Registos geológicos e fósseis de reversões anteriores, também, não indicam a ocorrência de eventos que levaram a grandes extinções.
Durante a última grande excursão (evento Laschamps), há cerca de 41 500 anos, o campo magnético enfraqueceu significativamente e os polos inverteram-se, mas voltaram às posições passado cerca de 500 anos.
Apesar de serem identificadas algumas evidência de alterações climáticas regionais durante o evento Laschamps, o gelo da Antártica e da Gronelândia não mostra nenhuma mudança significativa. Além disso, quando visto dentro do contexto da variabilidade climática durante a última era do gelo, quaisquer mudanças no clima, observadas na superfície da Terra, foram subtis.

As mudanças na polaridade do campo magnético da Terra não afetam o clima, porque o ar não contém ferro. Logo, não há nenhum mecanismo físico conhecido capaz de ligar as condições climáticas na superfície da Terra com correntes eletromagnéticas no espaço.
Conclusão
FALSO: As variações no campo magnético da Terra não são uma preocupação no que toca a alterações do clima. Não há evidências de que o clima da Terra tenha sido significativamente influenciado pelas últimas três excursões do campo magnético, nem por qualquer evento nos últimos 2,8 milhões de anos.
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