Agosto foi inesperado, construído por nostalgias de sítios que não visitámos, reviravoltas e desânimos. Pelos filhos tudo, e assim como nos move proporcionar experiências inesquecíveis, também nos faz balançar e escolher momentos mais oportunos. Falamos da vivacidade e aventura do mais novo, do protecionismo do mais velho, e de um reforçado companheirismo de irmãos, que muito me orgulha como mãe.
Assim, quis o oitavo mês do ano que fosse tempo de viver no presente, reorganizar prioridades. Novos projetos a caminho, novas certezas, novas pontes.
Há muito que sinto fascínio pela cultura dinamarquesa e por aquilo que para mim significa o hygge.
Tenho pessoas hygge na minha vida, que me trazem soluções e abrigo, e de acordo com o estudo de Robert Waldinger (psiquiatra), é exatamente este tipo de vínculos que nos trazem felicidade. Segundo um longo estudo científico (durou 85 anos) da Universidade de Harvard, sobre a felicidade, esta poderá encontrar-se na qualidade dos nossos relacionamentos, à medida que envelhecemos.
Sendo Copenhaga, a capital da Dinamarca, considerada a capital mais feliz do mundo (de acordo com o relatório internacional Happy City Index, 2026), há muito tempo que me sinto bastante inspirada a questionar o porquê.
E como é que os conceitos de hygge e felicidade se interligam no dia a dia e em pilares fulcrais como a educação? Tendo entrevista marcada com o Museu da Felicidade em Copenhaga, mas não tendo sido a mesma possível por imprevisto meu (mais especificamente do meu querido filho aventureiro), a simpatia dos dinamarqueses tornou-se experiencial para mim, pois rapidamente se disponibilizaram para responder a algumas das minhas tantas curiosidade. O referido museu foi criado e é liderado por Meik Wiking (também Presidente do Happiness Research Institute), que escreveu o muito conhecido “Livro do Hygge”, e que de acordo com o mesmo se traduz em “a arte de criar intimidade”, “o conforto da alma”. Segundo Meik, “Tirar o melhor partido do que temos em abundância: o dia a dia. Talvez seja Benjamin Franklin a dizê-lo melhor: ‘A felicidade consiste mais em pequenas conveniências ou prazeres que ocorrem todos os dias do que em grandes pedaços de sorte que acontecem raramente’. “
Espero que gostem e que se fascinem por este mundo da educação e da felicidade, para que ambas possam andar sempre lado a lado. Sinto que consegui estar nesse caminho, num lugar a que sempre chamei “casa”, um lugar hygge (de aconchego e que privilegia o bem-estar) a escola que me ensinou a sonhar, e a sentir o acolhimento necessário para crescer, mesmo nas adversidades da vida.
Desejo um bom recomeço a todos no geral, e um bom ano letivo a todos aqueles que pessoal e/ou profissionalmente fazem parte do mundo da educação.
– Bárbara Batista (B.B)
– The Happinness Museum (THM), Copenhaga
B.B – A Dinamarca é considerada um dos países mais felizes do mundo. Qual é o vosso segredo?
THM – Os dinamarqueses são muito bons em dissociar riqueza e bem-estar. Uma vez que as nossas necessidades básicas são suprimidas, percebemos que ter mais dinheiro não leva a mais felicidade. Em vez disso, concentramo-nos no que nos proporciona uma melhor qualidade de vida.
B.B – O conceito de Hygge está diretamente relacionado com a conquista da felicidade?
THM – Sim, a felicidade dinamarquesa deve-se em grande parte a viver o estilo de vida Hygge. O foco nas pequenas coisas que realmente importam, incluindo passar mais tempo de qualidade com amigos e familiares e aproveitar as coisas boas da vida, é importante para a felicidade.
B.B – A empatia é uma disciplina obrigatória nas vossas escolas. Como funciona na prática?
THM – Frequentemente é designada por “aula de empatia”. As crianças têm uma aula por semana para todos os assuntos que afetam a turma. Durante o “Klassens tid” (tempo de aula), as crianças discutem os seus problemas, não se limitando a questões relacionadas à escola, e toda a turma tenta encontrar uma solução ouvindo e compreendendo. Caso não haja problemas para discutir, a hora é simplesmente dedicada ao Hygge.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.