“O Ocidente, a Guerra e a Paz” é o tema do 12.ª Encontro BEIRA (2026), que se realiza este sábado, 12 de setembro, em Viseu, com a presença da académica francesa Nicole Gnesotto, vice-presidente do Instituto Jacques Delors. Os Encontros BEIRA, sempre realizados em Viseu, começaram por ser anunciados em 2023, durante uma cerimónia de homenagem ao antigo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Azeredo Perdigão, natural daquela cidade. O projeto “BEIRA – Observatório de Ideias Contemporâneas Azeredo Perdigão”, uma parceria da autarquia viseense com a Associação Viriatos.14 (uma entidade de direito privado de natureza filantrópica, para a promoção da cidadania, do desenvolvimento social e da solidariedade) e com o apoio da Fundação Gulbenkian, organiza, desde 2024, os encontros, propriamente ditos, realizados quatro vezes por ano, e que têm trazido à capital da Beira Alta personalidades internacionais de relevo, para debater temas da nossa contemporaneidade.
Assim, em 2024, o cientista político basco Daniel Innerarity falou sobre a “Democracia – Impasses e Desafios”; já Maurizio Ferraris, um dos mais conhecidos filósofos italianos da atualidade, dissertou sobre a “Inteligência Artificial e Inteligência Natural”; os “Novos Fanatismos na Era do Hiperindividualismo” foi tema da conferência do filósofo francês Giles Lipovetsky e “As Ideologias – Declínio ou Desaparecimnento” foram objeto de análise de Peter Sloterdijk, filósofo alemão com vasta obra publicada.
No ano passado, vieram a Viseu Jean-Michel Besnier, filósofo e professor emérito da Sorbonne, que se debruçou sobre “O Transunamismo e os Novos Desafios à Natureza Humana; “As Múltiplas Crises da União Europeia” foram objeto da análise do conhecido político catalão Josep Borrel e “Os Novos Populismos – a Caminho de uma Povocracia?” foi a interrogação de Ilvo Dimantil, politólogo e professor catedrático italiano; as “Metamorfoses do Espaço Público” foram “dissecadas por outro italiano, Giuliano Empoli, cientista político e ex-conselheiro do antigo primeiro-ministro Matteo Renzi.
Já este ano, em março, esteve em Viseu, para mais um Encontro da BEIRA 2026, o académico francês Pierre-Henri Tavoillot, para falar da “Política Entre o Poder e a Impotência”; e, em maio, passou pela terra de Viriato a filósofa e socióloga francesa Nathalie Heinich, que focou o tema da “Guerra dos Sexos – Feminismo versus Masculinismo”.
A vinda, no sábado, de Nicole Gnesotto, ex-chefe adjunta do centro de Análise e Previsão do MNE francês e antiga chefe do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, autora de obra vasta, precede o último encontro do BEIRA 2026, previsto para 7 de novembro próximo, e que será dedicado ao tema “Inteligência Artificial – Submissão ou Complementariedade?”, tendo por convidado o intelectual, professor universitário e ensaísta francês, de renome internacional, Luc Ferry. Responsável pela escolha dos nomes para as conferências do BEIRA, o antigo ministro da Cultura e filósofo Manuel Maria Carrilho tem sido um dos animadores mais ativo dos Encontros.