É oficial: Portugal já tem um espião no Sol. O assunto não é segredo de Estado porque o nosso infiltrado trabalha sem camuflagem e para a Ciência sem fronteiras. Tem a missão de dar novos mundos ao mundo, auxiliando na descoberta de outras Terras. E até foi batizado com um nome de código que neste cenário faz lembrar Camões – PoET. Como prova de que não se está aqui a delirar com as proezas de Quinhentos, eis o que diz Nuno Santos, que lidera, no Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, uma equipa de investigadores que já descobriu e caracterizou mais de 500 exoplanetas, que orbitam estrelas fora do nosso Sistema Solar: “Usando os Descobrimentos como ilustração, estamos a desbravar o oceano cósmico até encontrarmos um novo continente.”
Mas vamos por partes. O PoET (Paranal solar ESPRESSO Telescope) é um inovador telescópio solar, de conceção 100% portuguesa, e que foi recentemente instalado no Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), no deserto do Atacama, no norte do Chile. Já trabalha na missão, complexa e de extrema precisão, que lhe está atribuída: observar o Sol, aqui usado como cobaia, ou laboratório, para ajudar a transpor um dos maiores obstáculos na procura e na caracterização de outros planetas semelhantes à Terra no Universo.
