As entradas estão emparedadas, mas não é difícil entrar. Galgando um pequeno muro, passando entre sebes e silvas, facilmente se acede ao edifício onde, durante cerca de 35 anos, funcionou um dos maiores ginásios de Lisboa, o Mega Craque de Telheiras, no Alto da Faia. Sob os nossos pés rangem os vidros partidos e é preciso cuidado ao passar por escadas às quais já foram arrancados os corrimãos de ferro. Há fichas de clientes espalhadas por estúdios de ginástica, sacos de boxe derrubados, fios elétricos arrancados e a pender do teto, equipamentos de ar condicionado partidos, um espaço de cabeleireiro abandonado ainda com uma calha técnica, salas de spa destruídas, uma sala de ATL com brinquedos desfeitos e duas piscinas, que são agora tanques vazios, grafitados e cheios de lixo. Cá fora, as ervas crescem sobre os courts de ténis e o campo de futebol e o deck de madeira onde se faziam aulas de yoga ao ar livre tem parte do chão arrancada.
O cenário é desolador. O espaço foi abandonado pelo concessionário privado em 2022, na sequência de uma disputa sobre a fixação de rendas que se arrastou durante dez anos (primeiro, com a empresa municipal EPUL e, depois da sua extinção, com a Câmara Municipal de Lisboa). Desde essa altura que o vandalismo tem vindo a destruir aquele que a revista NiT considerou “um dos melhores ginásios de Lisboa”. Já houve sem-abrigo a pernoitar no espaço, mas são sobretudo os jovens que vivem nas redondezas que entram e destroem o que ainda resta. “Temos assistido nos últimos meses a atos de vandalismo. Os painéis solares foram roubados há pouco tempo. Este ano a situação piorou e há uma espiral de degradação. Recebemos queixas de entradas ilícitas no espaço, movimentos estranhos. Os vizinhos sentem-se inseguros”, conta à VISÃO Rodrigo Antunes, da Associação de Moradores de Telheiras Norte, que tem pressionado a câmara para que haja uma recuperação do espaço. “É mesmo fundamental para todo o território. Este é um equipamento com enorme potencial, que deve ser reabilitado. Pode ser um espaço desportivo, social ou cultural. Não há outro equipamento com as mesmas valências e está ao abandono”, lamenta Rodrigo Antunes.








