Do ponto mais alto do castelo, Bratislava parece uma cidade construída por crianças. Os edifícios assemelham-se a legos empilhados e cada um deles dá a entender que quem pensou a cidade fez dela um ensaio arquitetónico inspirado em várias versões europeias.
Se, por um lado, as ruas tortuosas da Stereo Mesto (Cidade Velha) nos levam de regresso à década de 1970 com a vista sobre a Catedral de São Martinho, por outro, relembram-nos que a Slovenského Národného Povstania (Ponte da Revolução Nacional), sobre o rio Danúbio, é o que prende a atenção de quem por ali passa. A avenida, que abre caminho para esta construção de betão, está vazia, mas é algo passageiro, pois dentro de meia hora os eslovacos vão começar mais um dia de trabalho. São sete horas da manhã. Enquanto observa aquela zona, Alexandra Arnold recorda as idas às fábricas de gás com o pai, quando o império soviético ainda se mantinha de pé. Aponta para o que se vê ao longe: as chaminés. Vai relatando, passo a passo, como se aqueciam as salas de descanso daquelas grandes infraestruturas: libertavam-se os fogões “quando não se faziam fogueiras nos buracos fundos, no chão de pedra”; alcançava-se o carvão; acendia-se. Aguardava-se que o fumo preto percorresse cada canto da divisão e que o calor chegasse a todos os trabalhadores. Aquele, conta, era o único momento em que as “mãos dos trabalhadores pareciam não congelar”. Hoje, Arnold, com 48 anos, não se lembra da última vez que viu uma fogueira com tais dimensões. Ainda assim, até há bem pouco tempo usava combustível sólido para aquecer a sua casa, no centro de Bratislava, mas, aqui, o ‘inflamável’ era outro – um cocktail Molotov de parafina com restos de madeira que ia lascando dos materiais que usava para as aulas de Artes Visuais.

