O psicólogo e psicoterapeuta João Nuno Faria aponta a facilidade, a disponibilidade e a rapidez das compras online como potenciadores de comportamentos compulsivos de aquisição. O coordenador do Núcleo de Intervenção no Comportamento Online no Pin – Progresso Infantil sublinha a importância de estar atento a compras que são feitas sem objetivo e que servem para tentar preencher um vazio ou aliviar algum tipo de ansiedade que se possa sentir.
Como se distingue entre gosto de fazer compras e vício? Quais os sinais de alerta que se deve ter em conta?
Para ser vício, ou seja, para ser adição, há que obedecer a um conjunto de critérios que habitualmente não correspondem àquilo a que chamamos compras compulsivas. Usamos a palavra vício para falar de um comportamento, mas, clinicamente, não cumpre os critérios para ser uma verdadeira adição. Não obstante, há muitas compras que podem derivar de diferentes necessidades psicológicas e que podem ter um carácter bastante problemático. Por isso, o mais correto é chamarmos compulsivas às compras feitas para tentar aliviar algum tipo de ansiedade ou fragilidade que a pessoa tenha. E que, naquele preciso momento, é abafada por uma compra. Um preenchimento de qualquer coisa que falta e que, indiretamente, é compensada através de uma aquisição de um produto ou serviço, que tem um efeito temporário de prazer e de anestesia desse vazio, mas que depois regressa. Este pode ser o caminho mais patológico, eventualmente. No fundo, nestes casos, o mais frequente é a necessidade de compra enquanto ritual, para aliviar uma tensão interna que se esteja a sentir.
