Brendan West, um ex-soldado britânico de 63 anos, perdeu a perna em 1979, na sequência de um atropelamento, que também resultou em fraturas nas costelas e cotovelo.
West, que se alistou no exército em 1976, tinha sido destacado para uma base militar britânica na Alemanha.
Encaminhado para um hospital militar britânico nesse país, West foi submetido a várias cirurgias (numa delas, a sua perna foi amputada) e algumas transfusões sanguíneas. “Tiveram de a amputar e deram-me muito sangue. Presumo que as pessoas que me deram sangue desconheciam totalmente o risco [do sangue infetado]. Não culparia os cirurgiões, nem as enfermeiras, nem quem me deu o sangue”, disse, em declarações à agência de notícias britânica PA Media.
Quatro décadas depois, West foi surpreendido quando, ao tentar doar sangue, a sua doação foi recusada. Nas análises, foi descoberto que o homem tem o vírus da hepatite C, bem como graves lesões no fígado, resultado de um diagnóstico extremamente tardio.
West, que terá contraído o vírus a partir de sangue contaminado nas transfusões sanguíneas que lhe foram administradas ainda na década de 1970, terá, agora, de passar a ser monitorizado.
“Fui dar sangue e recebi uma carta que chegou pelo correio e dizia: ‘tem anticorpos contra a hepatite C, não podemos aceitar o seu sangue’. Depois tive de ir fazer o teste do vírus e uma das enfermeiras especialistas disse: ‘Pelo aspeto das leituras, tem isto há mais de 20 anos’. Depois, fomos ver os meus registos médicos do Exército e parece que foi resultado de uma transfusão de sangue devido aos meus ferimentos”, contou.
A história de Brendon, que atualmente vive em Hampshire, Inglaterra, tem provocado algum alerta sobre o risco de infeção sanguínea por transfusão de sangue. “Durante décadas, as pessoas que receberam sangue ou produtos sanguíneos infetados, e os seus entes queridos foram estigmatizados, vilipendiados e desacreditados”, referiu Rachel Halford, diretora da organização The Hepatitis C Trust.