Há movimentos políticos que chegam com ruído. Outros chegam com sorrisos. Vestem-se de elegância, salto alto vermelho na sola, falam de família, maternidade, fé, tradição, educação e “valores”. Publicam frases bonitas, recomendam livros, convocam mulheres para uma ideia de comunidade e apresentam-se como resposta a um feminismo que, dizem, já não representaria todas. É precisamente por isso que importa olhar para eles com atenção. Não para insultar quem pensa de maneira diferente, nem para transformar divergência política em guerra de sexos, mas para fazer aquilo que uma democracia deve sempre fazer perante uma nova força política: perguntar o que está realmente a ser proposto, quem beneficia dessa proposta e quem poderá ficar para trás.
O Movimento Mulheres Conservadoras Portugal começou a afirmar-se publicamente este verão, com um encontro em Sintra que reuniu mulheres portuguesas e brasileiras, entre elas figuras ligadas ao partido do Chega e ao universo político conservador brasileiro. A imprensa identificou também a presença de Priscila Costa, deputada brasileira, e a circulação de ideias e referências provenientes das redes conservadoras transnacionais.
A fundadora, Rebeca Batista, apresenta a iniciativa como uma resposta àquilo que considera ser a incapacidade do feminismo contemporâneo para representar a pluralidade das mulheres. O movimento, contudo, ainda não publicou um manifesto definitivo. Esta circunstância exige prudência: não devemos atribuir ao coletivo aquilo que apenas algumas das suas protagonistas defenderam individualmente. Mas prudência não é silêncio. Aquilo que já foi dito, publicado e defendido permite perguntas legítimas.
E a primeira palavra que devemos interrogar é precisamente a que dá nome ao movimento: conservar. Conservar o quê? A família? A maternidade? A religião? A tradição? Uma determinada moral sexual? Uma ideia específica de feminilidade? Papéis distintos para homens e mulheres? Nenhuma destas posições é, por si só, ilegítima numa democracia.
Uma mulher pode ser profundamente conservadora, religiosa, maternal, tradicionalista e, ao mesmo tempo, defender integralmente a igualdade perante a lei. O problema começa noutro lugar: quando uma escolha pessoal deixa de ser apresentada como escolha e passa a ser apresentada como destino; quando aquilo que uma mulher deseja para si começa a ser utilizado como medida daquilo que todas as mulheres deveriam desejar.
Conservar é uma palavra perigosa quando esquecemos que também se pode conservar uma injustiça.
Portugal conhece demasiadamente bem essa história. Durante grande parte da nossa história recente, a desigualdade entre homens e mulheres não era apenas cultural: estava inscrita na lei, na educação, no trabalho, na família e na organização da sociedade. A autoridade masculina foi, durante décadas, tratada como natural. A violência conjugal foi durante muito tempo empurrada para a esfera privada. A autonomia económica e social das mulheres era limitada. O reconhecimento jurídico da violência doméstica como crime público, consolidado pela Lei n.º 7/2000, constituiu uma ruptura fundamental com essa ideia de que aquilo que acontecia dentro de casa dizia respeito apenas à família.
É por isso que qualquer projeto político que coloque a família no centro da sua visão da sociedade precisa de responder a uma pergunta que não pode ser evitada: o que fazemos quando a família deixa de ser lugar de proteção e se transforma num lugar de medo? Conservamos a família ou protegemos a pessoa? A resposta deveria ser óbvia: primeiro protegemos a pessoa. Mas a própria necessidade de formular a pergunta demonstra que os valores podem entrar em conflito. O Conselho da Europa, através do GREVIO, reconheceu os progressos portugueses no combate à violência contra as mulheres, mas alertou, em 2025, para a persistência de atitudes patriarcais e para situações em que a preservação da unidade familiar pode ser privilegiada em detrimento da segurança das vítimas.
Os números tornam impossível transformar esta discussão numa abstração ideológica. A violência doméstica continua a produzir milhares de ocorrências e vítimas em Portugal. No primeiro trimestre de 2025, foram registadas 7056 ocorrências de violência doméstica; no segundo trimestre de 2026, a CIG registou 7871 ocorrências e sete homicídios voluntários em contexto de violência doméstica, envolvendo três mulheres, três crianças e um homem. Há mulheres que fogem de casa, crianças que entram em estruturas de acolhimento, vítimas que passam anos sob controlo psicológico e económico e mulheres que acabam assassinadas. Perante esta realidade, falar de família sem falar de poder dentro da família é falar apenas de metade do problema.
Uma família não é boa porque é tradicional. É boa quando é segura. Não é saudável porque permanece intacta. É saudável quando as pessoas que a constituem podem permanecer nela sem medo. Uma família que exige o silêncio de uma vítima para preservar a sua aparência não está a preservar uma família; está a preservar uma hierarquia.
É precisamente aqui que o novo conservadorismo feminino apresenta uma questão que merece ser examinada com especial cuidado. Ele não regressa necessariamente à velha linguagem da submissão. Pelo contrário: apresenta-se através da linguagem contemporânea da escolha e do empoderamento. A mulher conservadora é descrita como uma mulher que escolhe a maternidade, a família, a religião, a feminilidade e determinados valores. E tudo isso é legítimo. Mas uma escolha só é verdadeiramente livre quando existe também a possibilidade de escolher o contrário.
Se uma mulher quer dedicar a vida aos filhos, deve poder fazê-lo. Se quer construir uma carreira, também. Se quer conciliar trabalho e maternidade, deve ter condições para isso. Se quer casar, deve poder casar; se não quer casar, deve poder não casar. Se quer ter filhos, deve ter apoio social, económico e laboral; se não quer tê-los, não deve ser considerada incompleta. A liberdade feminina não consiste em trocar uma obrigação por outra. Consiste em retirar da palavra “mulher” a ideia de destino obrigatório.
É neste ponto que a maternidade merece ser separada da instrumentalização política. A maternidade pode ser uma experiência extraordinária de amor, criação e vínculo. Mas nenhuma experiência humana extraordinária deve ser transformada em obrigação moral. Uma sociedade que verdadeiramente valoriza a maternidade não se limita a celebrá-la em discursos: cria condições para que uma mulher possa ser mãe sem ser economicamente penalizada, sem perder autonomia, sem abandonar a carreira, sem ficar dependente do parceiro e sem carregar sozinha o trabalho doméstico e emocional da família. Defender a maternidade sem defender estas condições é, demasiadas vezes, celebrar a imagem da mãe, enquanto se deixa a mulher sozinha perante o custo real de ser mãe.
E há uma questão ainda mais profunda: quem decide sobre o corpo da mulher?
É impossível discutir este novo conservadorismo sem falar do aborto. Há quem considere que a vida humana deve ser protegida desde a conceção. Essa convicção merece respeito numa sociedade plural. Mas existe também a autonomia corporal da mulher e existem situações-limite que desafiam qualquer resposta simplista. Entre elas está a gravidez resultante de uma violação. Algumas figuras associadas a este universo conservador, que nem vamos aqui nomear, têm defendido publicamente posições de oposição ao aborto sem exceções, incluindo em situações de violação. Se essa posição vier a integrar formalmente o programa do movimento, terá de ser discutida sem eufemismos.
A pergunta é brutalmente simples: pode o Estado obrigar uma mulher violada a continuar uma gravidez resultante de uma violência que ela nunca escolheu? Quem decide sobre esse corpo? A própria mulher? O Estado? Uma igreja? Um partido? Uma determinada conceção religiosa? Não é uma pergunta contra a vida. É uma pergunta sobre a relação entre vida, dignidade, autonomia e poder.
E aqui surge uma contradição que merece especial atenção. Se uma política afirma proteger a integridade do corpo feminino, não pode defender essa integridade apenas quando a vítima corresponde à imagem cultural que pretende proteger. O corpo da mulher não pode mudar de valor conforme a religião do agressor, a nacionalidade da vítima ou a posição política de quem comenta a violência.
É neste ponto que a extrema-direita contemporânea oferece um dos seus paradoxos mais reveladores. Uma parte dos seus discursos apresenta-se como defensora das mulheres contra os perigos provenientes da imigração, do Islão ou de culturas não ocidentais. A mutilação genital feminina, os chamados crimes de honra e a violência sexual são frequentemente convocados como exemplos de uma barbárie exterior que ameaçaria os “nossos valores”. Há razões absolutamente legítimas para combater todas essas práticas. Porém, existe uma diferença fundamental entre combater uma prática e transformar populações inteiras em suspeitas.
A mutilação genital feminina é uma violação gravíssima dos direitos humanos e deve ser combatida sem qualquer relativismo cultural. A Direção-Geral da Saúde define-a como qualquer procedimento que remova parcial ou totalmente os órgãos genitais externos femininos ou provoque lesões nos mesmos por razões não médicas, enquadrando-a como uma forma de violência de género associada a relações desiguais de poder. Portugal criminalizou autonomamente esta prática em 2015. Em 2025 foram registados no país 292 casos, embora a DGS esclareça que nenhum desses procedimentos ocorreu em território português nesse ano e que o aumento dos registos também decorre da melhoria da deteção e notificação.
Mas é precisamente porque levamos esta violência a sério que devemos recusar uma mentira conveniente: a mutilação genital feminina não é sinónimo de Islão, não é uma prática exclusivamente muçulmana e não autoriza a condenação coletiva de homens muçulmanos, mulheres muçulmanas ou comunidades migrantes. A prática existe em comunidades de diferentes religiões e tradições e antecede historicamente o Islão em várias regiões. Combatê-la exige combater a violência, a desigualdade e as estruturas sociais que a perpetuam, não transformar uma religião inteira num réu coletivo.
A investigação académica recente sobre a mobilização de mulheres na extrema-direita portuguesa mostra precisamente como a mutilação genital feminina e os chamados crimes de honra podem ser utilizados discursivamente para construir um contraste entre uma suposta Europa igualitária e um “outro” migrante, não branco e não ocidental, apresentado como especialmente violento. O mecanismo é politicamente poderoso: a mulher é convocada para legitimar a exclusão do estrangeiro e, paradoxalmente, uma linguagem de defesa feminina pode coexistir com posições que restringem a autonomia das próprias mulheres.
É aqui que a coerência se torna indispensável. Não podemos indignar-nos com a violência quando é praticada por um homem muçulmano e relativizá-la quando é praticada por um homem português. Não podemos denunciar o controlo do corpo de uma menina em nome de uma tradição cultural e, ao mesmo tempo, defender que uma mulher adulta não deve poder decidir sobre o seu próprio corpo em determinadas circunstâncias. Não podemos defender uma adolescente ameaçada de mutilação e, simultaneamente, ensinar outra adolescente que deve suportar a violência dentro de uma relação para preservar a família.
Isto não significa equiparar realidades que são jurídica, cultural, médica e eticamente distintas. Significa exigir que o princípio seja universal. Se a autonomia corporal é um direito, deve ser um direito da mulher independentemente da sua origem. Se a violência contra as mulheres é intolerável, deve ser intolerável independentemente da origem, religião ou nacionalidade do agressor.
E a realidade portuguesa deveria impedir-nos de procurar sempre o agressor do outro lado da fronteira. A violência doméstica não é uma importação. O patriarcado não nasceu com a imigração. O controlo sobre as mulheres não é uma invenção muçulmana. O homem que agride a mulher portuguesa dentro da sua casa não precisa de ser estrangeiro para ser perigoso. Os dados oficiais demonstram a dimensão estrutural da violência de género em Portugal e mostram que a esmagadora maioria das vítimas de violência doméstica são mulheres.
É aqui que a crítica ao oportunismo político se torna inevitável. Não é legítimo afirmar que todas as mulheres deste movimento estejam conscientemente a servir qualquer estratégia partidária. Mas é legítimo observar as suas ligações públicas, os seus próprios interesses, a circulação suspeita e transnacional de determinadas ideias e a utilização política de temas como família, imigração, aborto, religião e violência sexual. A extrema-direita percebeu, há muito, que a disputa política contemporânea não acontece apenas em torno da economia. Acontece na cultura, na escola, na sexualidade, no corpo, na religião, na infância e na definição de identidade.
E poucas batalhas culturais são mais poderosas do que esta: definir o que é uma “boa mulher”.
A mulher que cuida. A mulher que é mãe. A mulher que preserva a família. A mulher que é feminina. A mulher que é virtuosa. A mulher que respeita a tradição. Quem define o significado dessas palavras? E, sobretudo, o que acontece à mulher que não cabe nelas?
A mulher que não quer ter filhos. A mulher que quer divorciar-se. A mulher que quer viver sozinha. A mulher que não acredita em Deus. A mulher que ama outra mulher. A mulher que quer ser cientista, camionista, agricultora, empresária, ministra ou astronauta. A mulher que quer ficar em casa. A mulher que quer construir a sua própria carreira. A mulher que quer fazer ambas as coisas.
Onde fica essa mulher na definição conservadora de feminilidade?
É aqui que a literatura pode ser mais subversiva do que a política.
Jane Eyre, de Charlotte Brontë, aparece entre as leituras associadas ao universo do dito movimento. E é impossível não reparar na ironia. Jane Eyre não é uma mulher que rejeita o amor, a família ou o casamento. É uma mulher que se recusa a desaparecer dentro deles. Quer amar sem deixar de ser pessoa. Quer pertencer sem ser propriedade. Quer uma relação sem abdicar da própria dignidade.
Quando Jane afirma diante de Rochester, “I have as much soul as you and full as much heart”, está a dizer uma coisa que continua revolucionária: tenho tanta alma como tu e tanto coração. Não está a destruir o amor. Está a destruir a desigualdade.
Jane não quer uma sociedade sem homens. Quer uma relação sem inferioridade.
Esta uma das maiores ironias desta história: uma obra literária sobre a emancipação moral de uma mulher pode ser convocada por um movimento que pretende recuperar uma conceção mais tradicional dos papéis femininos. No entanto, os grandes livros têm precisamente essa capacidade: resistem às leituras que tentam domesticá-los.
Jane Eyre não nos diz que uma mulher deve abandonar a família. Diz-nos algo mais radical: nenhuma família, nenhum casamento e nenhum amor deveriam exigir que uma mulher deixe de ser livre.
E chegamos, finalmente, à questão essencial: que liberdade está a ser defendida?
A liberdade de uma mulher ser conservadora é indiscutível. A liberdade de uma mulher ser religiosa também. A liberdade de uma mulher querer ser mãe. A liberdade de preferir uma vida familiar tradicional. A liberdade de rejeitar o feminismo contemporâneo.
Tudo isso pertence à democracia, mas a liberdade não termina na nossa escolha. Começa verdadeiramente quando somos capazes de reconhecer a escolha do outro.
Uma mulher conservadora não precisa de ser inimiga das feministas. Uma feminista não precisa de odiar mulheres conservadoras. Uma mulher religiosa não precisa de ser inimiga da emancipação feminina. Uma mulher que acredita na família tradicional não precisa de querer impô-la a todas as outras. O problema começa quando a escolha pessoal se transforma em lei moral coletiva.
É por isso que não escreveria sobre estas mulheres com desprezo. Seria demasiado fácil. Não lhes chamaria ignorantes, retrógradas ou insanas. Não porque algumas das suas posições não possam ser profundamente criticadas, mas porque o insulto termina precisamente onde começa a verdadeira discussão.
Eu faria perguntas. Se defendem a família, defenderão primeiro a mulher quando a família se transforma num lugar de violência? Se defendem a maternidade, defenderão também as creches, a independência económica, a igualdade profissional e a divisão justa do trabalho doméstico? Se defendem a feminilidade, aceitarão que cada mulher possa definir por si mesma o que significa ser feminina? Se defendem a tradição, estarão dispostas a abandonar aquelas tradições que produziram sofrimento? Se defendem a vida, defenderão também a vida concreta das mulheres e crianças que já nasceram? Se condenam a mutilação genital feminina, condenarão com a mesma firmeza todas as formas de violência sobre o corpo feminino, independentemente da cultura, religião ou nacionalidade do agressor? Se condenam homens que violam mulheres de outras culturas, condenarão com a mesma veemência o marido português que viola a própria mulher? Se defendem a liberdade, defenderão também a liberdade da mulher que discorda delas?
E, se recomendam Jane Eyre, aceitarão a mulher que Jane Eyre representa: uma mulher que ama, mas que não aceita ser propriedade?
Estas perguntas não são ataques. São o mínimo que devemos exigir de qualquer movimento que pretenda intervir na sociedade em nome das mulheres.
Os direitos das mulheres não podem ser uma arma contra os imigrantes. Não podem ser uma arma contra os muçulmanos. Não podem ser uma arma contra os feministas. Não podem ser uma arma contra os homens. Os direitos das mulheres têm de ser uma fronteira contra toda a violência, venha ela de onde vier.
Uma política genuinamente comprometida com as mulheres não precisa de fabricar um inimigo estrangeiro para justificar a sua existência. Não precisa de escolher entre “as nossas mulheres” e “as outras mulheres”. Não precisa de dizer que algumas culturas são violentas para provar que a nossa é virtuosa.
A violência não tem nacionalidade. O patriarcado não tem passaporte. A violação não é mais grave, porque o violador nasceu noutro país.
E uma mulher não é menos digna, porque nasceu noutro continente.
Esta a diferença decisiva entre defender as mulheres e instrumentalizá-las: quem defende as mulheres combate a violência onde quer que ela esteja; quem as instrumentaliza escolhe cuidadosamente quais os violentos que quer denunciar e quais prefere não ver.
Não precisamos de destruir a família. Precisamos de libertá-la do medo. Não precisamos de destruir a maternidade. Precisamos de libertá-la da obrigação. Não precisamos de destruir a tradição. Precisamos de impedir que a tradição seja utilizada como destino. Não precisamos de destruir a masculinidade. Precisamos de libertá-la da confusão entre força e domínio. E não precisamos de regressar ao passado para recuperar valores. Precisamos de decidir, com inteligência, quais os valores que merecem acompanhar-nos para o futuro.
Uma sociedade verdadeiramente conservadora deveria conservar aquilo que merece ser protegido: a dignidade humana, a liberdade, a infância, a segurança, o amor, a democracia, a igualdade perante a lei e o direito de cada pessoa construir a própria vida.
Há famílias que merecem ser conservadas, mas há hierarquias que merecem ser abandonadas. Há tradições que merecem sobreviver, mas há outras que devem morrer. Há valores que nos tornam humanos e há valores que apenas parecem virtudes, porque fomos ensinados a não os questionar.
Esta é a pergunta a que o novo Movimento Mulheres Conservadoras ainda não respondeu e que todas as mulheres que o seguem deveriam fazer a si próprias:
quando dizem que querem conservar as mulheres, estão a querer proteger a sua liberdade ou a conservar o lugar que durante séculos lhes foi reservado?
Entre estas duas possibilidades existe toda a distância entre a tradição e o retrocesso.
É por isso que Jane Eyre continua tão atual, porque Jane não queria destruir a família.
Queria simplesmente não desaparecer dentro dela.
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