A adesão ao exercício físico tem adquirido uma importância crescente na sociedade atual, refletindo uma preocupação crescente com os elevados níveis de sedentarismo. Esta tendência é também reconhecida pela comunidade científica, que procura estratégias para incentivar a participação regular em comportamentos ativos, em benefício da saúde, educação, urbanismo e bem‑estar social (Aibar et al., 2025). Será que a chave para a adesão ao exercício físico é treinar ao lado de outras pessoas?
Treinar em grupo e ter apoio social é um excelente facilitador porque ajuda a sustentar as necessidades psicológicas básicas do praticante, indicando o caminho para que ele desenvolva uma motivação autónoma (fazer exercício porque o valoriza pessoalmente ou porque lhe dá prazer). É esta motivação autónoma, uma vez estabelecida, que garante a consistência e a regularidade a longo prazo (Teixeira et al., 2012). Paralelamente, fenómenos como o “efeito Köhler” demonstram que os indivíduos com menor desempenho individual (ou os elementos mais frágeis de uma equipa) tendem a registar ganhos significativos de motivação e esforço quando realizam tarefas ou competem em grupo, esforçando-se mais do que quando competem individualmente (Osborn et al., 2012). O apoio mútuo, o incentivo e a sensação de pertença ajudam a transformar o exercício físico numa parte natural do quotidiano.
Partilhar experiências de exercício físico com outras pessoas pode influenciar positivamente o treino, contribuindo para resultados desejáveis. Um estudo conduzido por Gottschall e Les Mills International (2011), com o apoio de Gottschall et al. (2013), explorou a forma como o treino em grupo pode focar-se numa prática duradoura de exercício físico, bem como na promoção dos benefícios necessários para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Com uma duração de 30 semanas, o estudo envolveu 25 indivíduos sedentários que passaram por um período inicial de seis semanas de familiarização e adaptação gradual. Posteriormente, os participantes evoluíram para um segmento de treino de 12 semanas com uma rotina de 6 aulas de fitness em grupo por semana e concluíram o programa com um segmento de treino final de 12 semanas com 7 aulas semanais, realizando uma variedade de sessões de treino cardiorrespiratório, de força e de flexibilidade.
Entre as alterações fisiológicas observadas destacam-se a diminuição da percentagem de massa gorda, a redução dos níveis de colesterol total, bem como o aumento no consumo de oxigénio e na percentagem de massa magra (muscular). Observou-se também que ao longo das 30 semanas, a maioria dos participantes (20 dos 25) não faltou a uma única sessão de treino, registando-se uma taxa de adesão de 98,8%. Este nível de compromisso demonstra a eficácia de realizar uma introdução gradual ao exercício físico, uma metodologia desenhada especificamente para reduzir o risco de lesões e otimizar a adesão ao programa de treino. Esta abordagem progressiva ao treino em grupo permitiu também aumentar a confiança e a capacidade dos praticantes semana após semana, reduzindo o stress e promovendo uma adaptação agradável que estimulou a retenção a longo prazo.
Outro estudo com a duração de 12 semanas revelou que os participantes que realizaram treinos regulares em grupo obtiveram reduções significativas nos níveis de stress percebido e melhorias na sua qualidade de vida física, mental e emocional (Yorks et al., 2017). Em contrapartida, os indivíduos que treinaram sozinhos (ou com até dois parceiros adicionais) não registaram alterações estatisticamente significativas na maioria destes parâmetros de bem-estar ao fim de 12 semanas, com exceção de uma melhoria na qualidade de vida mental. O estudo sugere que a componente social e o ambiente terapêutico inerentes ao exercício em grupo desempenham um papel crucial no alívio do stress e na promoção do bem-estar emocional.
Posteriormente, uma investigação conduzida por Graupensperger et al. (2019) revelou que os praticantes de fitness em grupo experienciam níveis mais elevados de prazer individual, esforço percebido e valência afetiva positiva como resultado da sua perceção de união ou grupo (groupness). Este estudo, que avaliou a experiência de 97 praticantes adultos em aulas de fitness ao longo de um período de duas semanas (reunindo 695 respostas individuais após as aulas), destaca a importância de as aulas de fitness serem sentidas como grupos autênticos para influenciar positivamente as respostas afetivas e potencialmente promover a adesão ao exercício. Os resultados indicam que as avaliações cognitivas que os indivíduos fazem das dinâmicas de grupo estão estreitamente ligadas às suas reações afetivas. Especificamente, as flutuações de aula para aula nas perceções de união (groupness) explicam as variações no prazer, na valência afetiva e no esforço percebido, sendo que níveis mais altos de perceção de grupo predizem positivamente estas três variáveis.
Atualmente, em ginásios ou ao ar livre, existem várias opções para treinar em grupo. Importa considerar que os comportamentos e estilos de liderança dos instrutores em aulas de fitness em grupo favorecem uma maior adesão ao exercício físico, influenciando os praticantes através do reforço do sentimento de pertença social e do suporte a processos de controlo da ação e autorregulação (Gao et al., 2026). A supervisão qualificada melhora a técnica de execução, reduz a incidência de erros de execução e otimiza a carga de treino, promovendo adaptações fisiológicas mais eficientes e resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Bibliografia
Aibar, A., Generelo Lanaspa, E., Julián Clemente, J. A., Corral-Abos, A., Bermejo, G., & BeltránCarrillo, V. J. (2025). An image, an idea: Expert insights on guiding principles for promoting physical activity. Frontiers in Sports and Active Living, 7, 1640346. https://doi.org/10.3389/fspor.2025.1640346
Gao, X., Song, Y.-G., Shu, Y., Silva, A. F., & Greco, G. (2026). Perceived Capability, Social Belonging, and Behavioral Adherence in Adult Group Fitness Classes: A Systematic Review of Psychosocial Predictors. Behavioral Sciences, 16(6), 882. https://doi.org/10.3390/bs16060882
Gottschall, J., & Les Mills International. (2011). Get Fit Together: A 30-week group fitness intervention study. Swansea University. https://www.swansea.ac.uk/media/Get-FitTogether.pdf
Gottschall, J. , Jones, J. , Mills, J. and Hastings, B. (2013). Group fitness is effective in reducing cardiovascular disease risk factors in healthy adults. Open Journal of Preventive Medicine, 3, 132-140. doi: 10.4236/ojpm.2013.31017. https://www.scirp.org/journal/paperinformation?paperid=28226
Graupensperger, S., Gottschall, J. S., Benson, A. J., Eys, M., Hastings, B., & Evans, M. B. (2019). Perceptions of groupness during fitness classes positively predict recalled perceptions of exertion, enjoyment, and affective valence: An intensive longitudinal investigation. Sport, Exercise, and Performance Psychology, 8(3), 290–304. https://doi.org/10.1037/spy0000157
Osborn, K. A., Irwin, B. C., Skogsberg, N. J., & Feltz, D. L. (2012). The Köhler effect: Motivation gains and losses in real sports groups. Sport, Exercise, and Performance Psychology, 1(4), 242–253. https://doi.org/10.1037/a0026887
Teixeira, P. J., Carraça, E. V., Markland, D., Silva, M. N., & Ryan, R. M. (2012). Exercise, physical activity, and self‑determination theory: A systematic review. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 9, 78. https://doi.org/10.1186/1479-5868-978
Yorks, D. M., Frothingham, C. A., & Schuenke, M. D. (2017). Effects of group fitness classes on stress and quality of life of medical students. The Journal of the American Osteopathic Association, 117(11), 737–743. https://doi.org/10.7556/jaoa.2017.140
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.