A verdade é que as coisas só têm piorado, o delírio agrava-se a olhos vistos e a tendência é para um agravamento progressivo. Uma das últimas pérolas trumpistas é a ameaça pública de que os Estados Unidos irão bombardear Omã “até à exaustão”, um país que é seu aliado no Médio Oriente, caso este acorde com a república islâmica uma rota de navegação segura através do estreito de Ormuz.
E nós a pensar que a atual crise na região se deveria ultrapassar através da diplomacia, de modo a acabar com o estrangulamento do estreito que está a afetar gravemente a economia mundial.
O louco da Sala Oval pensa que pode acordar um dia, maldisposto, e mandar bombardear não apenas um país inimigo, mas também um país amigo e aliado como o sultanato árabe de Omã, localizado no sudeste da Península Arábica, onde até tem uma base militar sua. E também acha que pode anunciar tal coisa ao mundo sem correr o risco de vir a ser internado num hospício.
Já sabemos que Trump se está a borrifar para o Direito Internacional e os tratados existentes ou a diplomacia e a ordem internacional. Já disse que o seu limite se reduz à sua consciência. Ora, a consciência de um louco deixa muito a desejar, por isso a lei considera os loucos como inimputáveis.
Mas a questão é esta, se o louco da Sala Oval ameaça bombardear um país aliado no Médio Oriente, o que fará com os europeus por quem repetidamente demonstra o seu desprezo e que insultou, ameaçou e atacou politicamente através do movimento MAGA, ao apoiar os seus adversários radicais?
Bem, poderíamos dizer que Trump é um problema dos estadunidenses. Foram eles que o levaram ao poder pelo voto, por isso agora aturem-no. Só que os Estados Unidos não são um país qualquer, muito embora esteja em acentuado declínio e em perda de influência global. Mas é evidente que ainda influencia o mundo ocidental, neste momento mais para o mal do que para o bem.
Por outro lado, existe um descontentamento interno cada vez maior com a política económica do presidente norte-americano e com o custo de vida no país. Segundo o Jornal de Negócios, “A menos de três meses das eleições intercalares de novembro, a sondagem nacional realizada pela Focaldata para o Finantial Times revelou que ‘mais de 53 por cento dos eleitores registados dizem que a sua situação financeira se deteriorou desde que Trump regressou à Casa Branca’, em janeiro de 2025.”
Além disso, a dívida pública do país ultrapassou, pela primeira vez na sua história, os 40 biliões de dólares (34,2 biliões de euros). A popularidade de Trump está incrivelmente baixa, rondando os 30 por cento.
Uma das últimas habilidades foi o regresso da reunião da NATO na Turquia quando, perante uma suposta ameaça, o presidente saiu às escondidas do avião oficial para não correr perigo mas deixou os seus colaboradores e jornalistas servirem de isco, entre eles a sua porta-voz que tinha sido mãe há poucas semanas e se demitiu de seguida.
A próxima jogada parece ser retirar aos estados as competências eleitorais a poucas semanas do ato eleitoral, de modo a manipulá-lo à vontade e tentar alterar a lei para correr de novo à Casa Branca. Em suma, Trump está a transformar um país de referência numa república das bananas.
Mas não podemos concentrar-nos em culpar apenas o louco da Sala Oval. Todo o seu círculo próximo tem elevada responsabilidade no estado a que chegou a Casa Branca. E nem sequer os jornalistas são capazes de tomar uma posição conjunta de boicotar a informação da Casa Branca enquanto o cavalheiro os continua a insultar em todas as conferências de imprensa.
É uma vergonha ver um governante dum país (ainda) democrático mandar calar os profissionais da informação e insultá-los com epítetos como “porca”, “falsa” e “uma desgraça”. Ninguém está a ver qualquer presidente republicano ou democrata a fazer nada que se pareça. Basta lembrar Obama, Biden, Clinton, Bush ou George W. Bush para não ir mais para trás.
Trump é o tipo de pessoa altamente tóxica com quem eu nunca deixaria que filhos meus ainda pequenos convivessem, por razões de higiene mental e moral.
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