Desde que o futebolista dinamarquês Christian Eriksen teve de ser reanimado em campo, no passado sábado, 12, no jogo Dinamarca-Finlândia, do Euro2020, o incidente tem sido utilizado para alimentar teorias sobre os perigos da vacinação, em mais uma onda de desinformação.
Os rumores começaram quando, ainda no sábado, Luboš Motl, um conhecido nacionalista e físico checo partilhou, na rede social Twitter, que um médico do Inter de Milão (clube onde joga o futebolista) teria afirmado a uma rádio italiana, a Radio Sportiva, que Eriksen tinha sido vacinado com a Pfizer na segunda-feira, 31. “O médico e cardiologista do Inter de Milão confirmou que ele recebeu a vacina da Pfizer 12 dias antes. Ele falou há uma hora atrás à Radio Sportiva de Itália”, pode ler-se noutro tweet.
A informação depressa se espalhou pela internet. Ambos os tweets foram amplamente partilhados e prints destes rapidamente surgiram em outras redes sociais como Facebook e Instagram. Segundo a Vice, estes chegaram ainda a plataformas como Telegram, um serviço de mensagens similar ao WhatsApp, e a canais do QAnon, um movimento de extrema direita que apoia várias teorias da conspiração.
No domingo, 13, a Radio Sportiva esclareceu a confusão no Twitter: “A informação reportada no tweet citado é falsa. Nunca relatamos qualquer opinião da equipa médica do Inter sobre a condição de Christian Eriksen”. O meio de comunicação pedia ainda que o tweet fosse retirado.
O tweet original já não se encontra disponível, uma vez que, Motl o apagou. “Apaguei o tweet que foi massivamente visualizado porque o Twitter da Radio Sportiva negou a informação e a minha fonte pode não ter sido verdadeira, estou apenas inseguro que chegue”, escreveu. O físico continua, no entanto, a alimentar na sua conta a narrativa de que foi a vacina que causou o colapso do jogador.
Também no domingo Giuseppe Marotta, diretor do Inter de Milão, afirmou em direto ao canal televisivo desportivo italiano, Rai Sport, que o jogador não tinha sido vacinado e que não tinha tido Covid-19.
Apesar de ter sido desmentida, a informação continua a circular online, sendo partilhada por várias figuras conhecidas com uma grande rede de seguidores. Exemplo disso é Matt Le Tissier, ex-futebolista inglês, que tem mais de 500 mil seguidores. Este partilhou o tweet de outro utilizador onde se pode ler: “Este fim-de-semana podemos testemunhar um futebolista internacional a ter um ataque cardíaco em campo. Cardiologistas explicaram quão regularmente a sua saúde cardíaca era testada enquanto jogador profissional. Também vimos a Google e outros gigantes de tecnologia a ameaçar tomar ‘ações’ se alguém ligasse o acontecimento à vacina”.
Também o ex-repórter do New York Times, Alex Berenson, conhecido por ser cético em relação à Covid-19, recorreu à sua conta, escrevendo: “As respostas mostram que algumas pessoas não estão convencidas e levantam a ideia de que podia ter sido vacinado longe do Inter. A resposta final irá vir dele/dos seus médicos, se estes falarem. O verdadeiro duplo padrão é que se ele tivesse tido Covid já saberíamos. Todos os repórteres do mundo o iam anunciar”. Na rede social onde já conta com 271 mil seguidores, o ex-repórter continua a pôr em causa a veracidade da informação transmitida pelo Inter de Milão.
Eriksen ainda não confirmou ou negou ter levado a vacina contra a Covid-19. O jogador encontra-se internado no hospital, já tendo emitido na terça, 15, a sua primeira mensagem pública. Partilhada na rede social Instagram, o dinamarquês agradeceu o apoio dos fãs e referiu encontrar-se bem “dadas as circunstâncias”. “Muito obrigado pelas doces e incríveis saudações e mensagens de todo o mundo. Significam muito para mim e para a minha família”, escreveu.