“E se corre bem?”, perguntava Rúben Amorim, à chegada a Alvalade, naquele março de 2020, não tão distante assim como agora parece. Nem um mês antes, Frederico Varandas acusara dois elementos da claque Juventude Leonina de agredirem dois membros da direção do Sporting e de cuspirem na filha de um deles, menor de idade. Nem um mês depois, um grupo de sócios insistiria na realização de uma assembleia geral tendo em vista a destituição do presidente do clube. O caos imperava dentro e fora de campo. Amorim era já o quarto treinador da época, depois de Marcel Keizer, Leonel Pontes e Jorge Silas. Além de benfiquista assumido, custara dez milhões de euros, uma verba nunca antes paga por um treinador em Portugal e que a Juve Leo classificou de “obscena”. O momento convidava à descrença, não ao entusiasmo: cumpridas 23 das 34 jornadas do campeonato, a equipa seguia afundada no quarto lugar, com escassos três pontos de avanço sobre o sexto (Famalicão) e a 20 do líder FC Porto (e 19 atrás do Benfica).
Invicto na Liga, e com cinco vitórias sobre os chamados três grandes em 13 jogos ao serviço do Sporting de Braga, na sua estreia como técnico no escalão principal, Rúben Amorim emergiu em Alvalade contra a corrente fatalista. “As pessoas perguntam: ‘E se corre mal?’ E eu faço a pergunta: ‘E se corre bem?’ O que nós podemos mexer com esta gente…”, declarou então, apostado em tirar o universo leonino da depressão coletiva, mas longe de antecipar a explosão de felicidade que, na terça-feira da semana passada, tomou conta das ruas de Lisboa (com excessos à mistura, como se viu).

