Os confrontos em tribunal tiveram início em maio de 2016, quando Amber Heard apresentou gravações que, alegadamente, relatavam um episódio de violência doméstica que a atriz afirma ter acontecido dois dias antes de pedir o divórcio. De acordo com a Associated Press, nas gravações, Heard afirma que ao longo da sua relação com Johnny Depp, vários foram os episódios de abuso físico e verbal. “Sofri abuso emocional, verbal e físico por parte do Johnny, que incluía raiva, hostilidade, agressões humilhantes e ameaçadoras para mim sempre que questionava a sua autoridade ou discordava dele”, diz. Apesar disto, os advogados de Depp negaram fortemente todas as afirmações. Nesta altura, o tribunal emitiu uma ordem de restrição temporária contra o ator.

DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP via Getty Images
Já em agosto de 2016, o ex-casal chegou a um acordo de divórcio de cerca de 7 milhões de dólares. Um dia antes do início da ordem de restrição, Heard retirou todas as queixas contra Depp. Os dois atores descreveram o seu relacionamento como “intensamente apaixonado e às vezes volátil, mas sempre vinculado pelo amor”, e reforçaram que nunca houve intenção de provocar danos físicos ou emocionais. Posto isto, os atores estabeleceram, dentro do divórcio, um acordo que ditava que ambos estavam proibidos de difamar a reputação um do outro.
Mas Amber Heard foi a primeira a quebrar o trato. No final de 2018, a atriz expôs toda a situação aos media e ficou sob os holofotes do público. O The Washington Post publicou um editorial redigido com base em declarações acerca dos casos de violência doméstica relatados pela atriz. Embora sem referência a nomes, o artigo foi interpretado como sendo uma clara referência a Johnny Depp. As afirmações levaram a que Amber fosse vista como a voz de todas as mulheres vítimas de abusos às mãos dos homens.
No ano passado, Johnny Depp abriu um processo em tribunal por difamação acerca das revelações feitas por Heard no artigo do The Washington Post. Os advogados descreveram as denúncias como “categoricamente falsas” e contra-argumentaram que Heard foi quem realmente abusou do ator. No entanto, a atriz admitiu que isso tinha realmente acontecido, mas que se tratou de uma situação de autodefesa.
Entretanto, começaram a aparecer os primeiros sinais do descalabro da carreira de Johnny Depp no mundo de Hollywood. O ator foi impedido pela Disney de continuar a protagonizar os filmes dos “Piratas das Caraíbas” devido a todas as acusações que enfrentava, entrando, assim, num contínuo cenário de difamação.
Um meses depois, Amber Heard apresentou uma proposta para impedir que Depp avançasse com o processo. Aí, a atriz forneceu detalhes acerca dos supostos abusos dos quais era vítima, e contou que Depp começou a agredi-la cerca de um ano antes, momento em que começou a apresentar queixa. Heard disse que um dos alegados incidentes começou em 2015 quando Depp estava em gravações do filme “Piratas das Caraíbas: Homens mortos não contam histórias”. Nessa altura, o casal discutiu e travou uma violenta luta que deixou o ator à beira de uma depressão.
Até à data, as acusações e os ataques de ambas as partes continuam. Johnny Depp prosseguiu com a decisão de denunciar Amber Heard de violência doméstica, afirmando que, ao contrário do que era dito até então, nunca abusou dela ou “de qualquer outra mulher” e continuou a negar em tribunal todas as acusações que a atriz apresentava contra si. “Ela era a agressora, e eu a vítima”, garante Johnny Depp, citado pela BBC. Acrescenta, ainda, que foi a mistura de álcool e drogas que levou a atriz a cometer os atos de violência. “Ao misturar anfetaminas sob prescrição médica e medicamentos sem receita com álcool, a Sra. Heard cometeu inúmeros atos de violência doméstica contra mim, muitas vezes na presença de terceiros e que, em alguns casos, me causou graves danos físicos”, afirma Depp.
Em 2018, o tabloide britânico The Sun, descreveu o ator como um “agressor de mulheres”. Depp processou o jornal e, em julho deste ano, declarou que as alegações de violência para com Heard eram “completamente falsas”. O foco da difamação iniciada pelo The Sun foi uma lesão que o ator sofreu no dedo enquanto decorriam as gravações do “Piratas das Caraíbas: Homens mortos não contam histórias”. Na altura, Amber Heard alegou que Depp se tinha magoado após ter arremessado vários objetos contra si. Mas no decorrer de uma audiência, no passado dia 14 de julho, Malcolm Connolly, guarda-costas de Depp, admitiu que fora ele quem inventara uma história falsa acerca de o ator ter magoado o dedo numa porta. Citado pelo The Guardian, disse que o seu principal objetivo era “proteger a produção do filme”, e que o “padrão habitual de vítima” é proteger o seu agressor, pois sabia que seria difícil Depp denunciar a ex-mulher.
Na mais recente audiência, Amber revelou ao tribunal fotografias em que se apresentava com alguns ferimentos na cara, supostamente causados por Depp. Para além disso, revelou outras que demonstravam uma sala completamente destruída após uma cena de luta entre os dois. Já Depp argumentou que foi ele quem tomou a decisão de se divorciar de Amber, reforçando que não suportava que ela estivesse constantemente entre o álcool e a droga. Declarou, também, que era essa a principal razão dos episódios de violência.
O ator tem recebido o apoio das atrizes Winona Ryder e Vanessa Paradis, ex-namoradas que garantem que ele nunca foi violento com elas. Já Amber Heard tem sido alvo de algumas críticas devido ao facto de continuar a tentar descredibilizar Depp com diversas alegações que foi alterando ao longo de todo o processo jurídico.