Testes feitos a 89 astronautas revelaram em 47, ou 53%, dos envolvidos em voos curtos, a presença do HSV-1, um dos tipos do vírus do herpes humano que afeta sobretudo os lábios, mas pode também estender-se aos genitais. O vírus foi detetado também em 61% dos que participaram em missões mais longas, como as da Estação Espacial Internacional.
Uma vez contraído, o vírus fica inativo e pode ser “acordado” mais tarde, por exemplo, em períodos de stress mais intenso. E isto pode revelar-se um perigo para os astronautas em missões mais mais prolongadas, como seria uma viagem a Marte, uma vez que quanto mais tempo os astronautas tinham passado no espaço mais ativo estava o vírus. Além disso, sublinha Satish Mehta, a autora deste estudo, publicado no Frontiers in Microbiology, esta carga viral pode afetar também terceiros, uma vez que é provável espalharem o vírus no regresso à Terra.
As análises permitiram encontrar ainda o vírus Herpes varicella zoster, que causa varicela e “zona”, o Epstein-Barr, que provoca mononucleose e febre glandular e o citomegalovírus, que normalmente é inofensivo, mas que pode ser perigoso em casos específicos.
Mehta explica que “semanas ou até meses a serem expostos a radiação cósmica e a microgravidade – sem esquecer as quantidades extremas de Força-G a que estão submetidos na descolagem e na reentrada na atmosfera, combinadas com fatores como a separação social, o isolamento e a alteração do ciclo de sono” resultam no enfraquecimento do sistema imunitário dos astronautas.
“Descobrimos que as células do sistema imunitário dos astronautas – especialmente aquelas que suprimem ou eliminam os vírus – se tornam menos eficazes nas viagens espaciais e, às vezes, mesmo até 60 dias depois de chegar à Terra.”
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