
A capela provisória foi improvisada no campo de milho das irmãs, com a ajuda dos ativistas do grupo ambientalista Lancastar Against Pipelines
David Jones
Uma mesa comprida a fazer as vezes de altar, uma espécie de pérgola a dar sombra, quase uma dezena de bancos corridos. E, a toda a volta, em vez de paredes há milho, por estes dias bem alto. É assim a nova capela ao ar livre que as irmãs da ordem religiosa católica Adorers of the Blood of Christ construíram na sua propriedade em Lancaster, na Pensilvânia, para tentarem evitar a passagem de um gasoduto.
Há três anos que o grupo ambientalista Lancaster Against Pipelines luta para que o projeto da Williams Partners não avance, desdobrando-se em protestos no terreno, nas redes sociais e nos tribunais. Enquanto os responsáveis da empresa dizem que os quase 300 quilómetros de tubos do Atlantic Sunrise são essenciais para fazer chegar gás natural a mais de 7 milhões de lares americanos, os ativistas argumentam que os riscos ambientais são demasiado elevados. E agora secundam as freiras que, tal como trinta outros proprietários, não aceitaram a proposta da Williams Partners de lhes pagar para escavar parte da propriedade e enterrar a tubagem.
Nem a promessa de que seriam dadas compensações pelas colheitas perdidas durante a construção do gasoduto, e posteriormente realizadas inspeções regulares para garantir que não existe qualquer perigo para a saúde, convenceu as irmãs. Depois de uma cerimónia de consagração do altar, para a qual convidaram a comunidade local, interpuseram uma ação judicial contra o regulador do setor em que falam numa clara violação do seu compromisso com o meio ambiente – devem “respeitar a unidade com a criação” e “reverenciar a Terra como um santuário onde toda a vida está protegida” – e se queixam de o projeto atentar contra a liberdade religiosa.
No tribunal, os advogados desta ordem religiosa, fundada em 1834 e com 2 mil membros em todo o mundo, defenderam que as suas crenças incluem “educar ativamente e envolver-se em questões relacionadas com o meio ambiente, incluindo o impacto do aquecimento global como resultado do uso de combustíveis fósseis”. Um juiz federal já lhes deu razão, recusando, para já, conceder à Williams Partners a utilização imediata das terras que pertencem à ordem religiosa.
Entretanto, as freiras já anunciaram que querem avançar com a construção de uma capela definitiva no mesmo local onde hoje se reza ao ar livre.