As iniciativas sociais e ambientais são uma das faces mais importantes do Projeto Social do Rock in Rio. É com orgulho que a sua coordenadora, Dora Palma, refere que a reciclagem de lixo já alcançou uma taxa de 70 porcento. “Desde 2006, conseguimos compensar na totalidade a pegada carbónica de cerca de quatro mil toneladas, com a plantação de árvores em áreas ardidas na Pampilhosa da Serra.” Dois ou três dias depois do fim do festival, os organizadores do Boom Festival são os primeiros a entrarem no recinto para levarem 70% do material, como alcatifas, relvas sintéticas, lonas, tecidos ou materiais de cenografia. Depois vem também o pessoal do festival Andanças, de teatros, escolas e ONG’s. A doação de alimentos é feita à Re-Food (sobras de todos os bares) e à associação contra o desperdício Dariacordar (catering dos camarins, tenda VIP e staff). Pelas mãos de Dora Palma passam também as acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, desde lugares de estacionamento, rampas e zonas para assistir aos concertos. Destaque também para o Programa Amazonia Live que propõe, até 2019, plantar um milhão de árvores na floresta da América do Sul. Como o Banco Mundial já doou um milhão e uma universidade brasileira mais 100 mil, o objetivo agora é chegar aos três milhões. Estão no bom caminho.
Depois de os contratos com as marcas estarem fechados com o departamento comercial, é a equipa de Vivian Toller que entra em ação. Funcionam como uma agência de publicidade dentro do próprio festival. “É preciso conversar e decidir quais os brindes e ativações das mais de 50 marcas, para que duas não deem o mesmo brinde”, explica a responsável pelo Atendimento das marcas. “Queremos que as marcas sintam que estão no lugar certo para mostrarem o que valem. Todas fazem sentido no festival desde que estejam dispostas a ‘sair da caixa’ e a mostrar o seu lado diferente.” A habitual Fábrica de Sofás (da Vodafone) já está instalada no recinto, mas aguarda-se com expectativa pela experiência de realidade virtual que a Samsung vai levar à Belavista. Os visitantes mais destemidos poderão simular um salto de bungee-jumping diretamente para uma cratera em erupção, com os óculos de realidade virtual Gear VR.
Os fotógrafos Pedro Zenkl e Jorge Padeiro, da Agência Zero, começam a trabalhar no festival assim que há movimento no Parque da Belavista, desde a primeira máquina a escavar ao primeiro camião a descarregar. Todas as montagens e obras são documentadas pelos repórteres da agência de fotografia oficial. Se agora são os órgãos de comunicação social portugueses que publicam o seu trabalho, nos cinco dias do festival serão os media internacionais, até porque o festival é difundido em live streaming para a China e Estados Unidos, a aguardarem pelas suas 350 fotografias diárias, com ambiente, pessoas, artistas e, claro, concertos.
Garantir que está tudo pronto a funcionar e em segurança em todos os dias do festival é a missão de Ricardo Acto, diretor de operações. O progresso tecnológico tem sido um aliado da organização do festival, permitindo reduzir consumos, agilizar montagens ou melhorar serviços. Um bom exemplo serão as 350 casas de banho que este ano se apresentam mais evoluídas no que há qualidade e limpeza diz respeito. Inventaram uns sensores, semelhantes aos que existem nos parques de estacionamento, que avisam se está ocupada ou vazia e qual o tempo médio de espera. Ao começarem a usar estruturas modulares, mais fáceis de transportar para outros países, reduziram o desperdício de madeiras, por exemplo, permitindo também montar mais estruturas e de forma mais rápida. O Palco Mundo, fabricado em Sintra, já serviu para outras edições do Rock in Rio fora de Portugal. O uso de tecnologia LED também fez com que reduzissem o consumo energia. A eletrónica mesmo ao nível dos espetáculos é muito mais eficiente do que há dez anos quando Ricardo começou a trabalhar na equipa. Os equipamentos do som, luz e vídeo também são cada vez mais modernos, com mesas de mistura e estúdios que evitam a presença dos artistas no sound check. Este ano, enquanto o Palco Mundo terá 250 mil watts e mais de 300 projetores, aproximadamente 400 toneladas, o som do Palco Vodafone só se ouvirá até 60 metros. Lá estaremos para atestar.
A Fender americana que Zé Ricardo vai dedilhando é uma das 18 guitarras que tem na sua casa no Rio de Janeiro. O músico, cantor e compositor brasileiro é responsável pela escolha dos artistas e pelo alinhamento dos palcos Vodafone e da Rock Street, enquanto Paulo Fellin, vice-presidente artístico do festival, trata do Palco Mundo. No palco Vodafone são bandas indie, como os portugueses Capitão Fausto ou as espanholas Hinds, “com grandes quantidades de fãs”. Pelo palco da Rock Street vão passar “artistas da nova geração para apresentarem trabalhos de ícones da música brasileira”, explica Zé Ricardo. A saber: Mart’nália, filha do Martinho da Vila que está a homenagear o pai; Toni Garrido, vocalista da banda de reggae Cidade Negra, com um show de homenagem a Tim Maia; Simoni, filho de Wilson Simonal, homenageando Jorge Ben Jor; Carlinhos Jesus, mestre do samba e da “malandragem” da música carioca, vai ensinar o público a dançar; um grupo de chorinho de Edu Miranda. Sobre a crise política que o Brasil está a passar, Zé Ricardo não tem dúvidas: “É claro que vai refletir nos movimentos artísticos futuros e os próximos anos vão mostrar isso com uma lente de aumentar.”