Lembra-se de Alvarenga, o pescador que sobreviveu 14 meses no mar? A família do seu colega de expedição acusou-o de canibalismo e está a exigir um grande cheque como compensação.
Jose Salvador Alvarenga abandonou a costa do México num pequeno barco com o colega Ezequiel Córdoba em Novembro de 2014 e só 14 meses regressou, sozinho.
De barco carregado, os dois fizeram-se ao mar. Tudo começou a correr mal quando foram atingidos por uma tempestade que destruiu o motor do barco e muito do equipamento que transportavam. Em poucos dias ficaram sem água ou comida. Começaram a beber a água da chuva e a própria urina, e a apanhar peixes e pássaros com as próprias mãos para se alimentarem.
“Tinha tanta fome que até comia as minhas próprias unhas, engolindo cada bocadinho,” contou Alvarenga ao The Guardian.
Os dois sobreviveram juntos durante meses, mas Córdoba começou em declínio físico e mental. Ficou mal disposto depois de comer aves marinhas cruas e começou a rejeitar toda a comida. Perdeu a energia e a motivação para comer, Alvarenga tentava que ele comesse, mas este tinha entrado em depressão e o seu corpo estava a deixar de responder.
“Estou a morrer, estou a morrer, estou quase a ir,” disse Córdoba numa manhã. “Não penses nisso. Vamos fazer uma sesta,” respondeu Alvarenga e deitou-se ao seu lado. Córdoba morreu pouco depois. Para lidar com a perda da sua companhia, Alvarenga fingiu que ele não tinha morrido e falava com o corpo como se ainda estivesse vivo, fazendo-lhe perguntas e respondendo, durante quase uma semana.
Antes da sua morte, Alvarenga prometeu a Córdoba que se se sobrevivesse iria visitar a mãe dele e dizer-lhe adeus por ele.
Alvarenga cumpriu o que prometeu e foi visitar a mãe de Córdoba, Rosalia Diaz Cueto, para lhe entregar a mensagem do seu filho.
Em fevereiro, Diaz Cueto disse aos media que não culpava Alvarenga pela morte do filho – “Eu quero que fique percebido que não culpo esta pessoa, Alavarenga, ou que o declaro culpado de alguma coisa,” disse segundo o Associated Press.
A história de Alvarenga foi contada no livro de Jonathan Franklin, “438 dias.”
Agora, a família de Córdoba está a exigir que Alvarenga pague uma indemnização de cerca de 930 mil euros, alegando que o seu filho foi vítima de canibalismo.
O advogado de Alvarenga já negou a alegação, dizendo que a ação judicial foi feita dias a seguir ao livro “438 dias” ter sido publicado.
“Acho que esta exigência faz parte da pressão da família de dividir o dinheiro,” disse ao El Diario de Hoy. “Muitos acreditam que o livro está a deixar o meu cliente rico, mas ele vai ganhar muito menos do que as pessoas pensam.”
Alvarenga está também a ser processado por um antigo advogado, Benedicto Perlera, que pede também quase um milhão de euros por uma quebra de contrato, segundo o El Diario de Hoy.