ACOMPANHE A CARAVANA
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Dois pais de família vão de carros buscar refugiados
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A bordo da caravana
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A passagem por Espanha
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Retratos da caravana: Pedro Lapa
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“Temos um plano!”
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Retratos da Caravana: Vera Valério Batista
Foi logo à partida que lhe tirámos a pinta: Paulo Leão é um fazedor. Nem sempre as primeiras impressões se confirmam, mas, neste caso, acertámos na mouche ainda em Lisboa, percebemos quando chegamos à fronteira com a Croácia. Cinco minutos depois de estacionar frente ao Palácio de Belém, já ele tinha rebatido os bancos de trás do seu carro para dar espaço aos sacos de roupa e víveres que iam aparecendo. Sem hesitações.
“Eu não falo, eu faço”, há de responder-nos a caminho de Tovarnik, para justificar a sua presença na caravana. “Como pai, senti-me na obrigação de fazer algo. O que tinha observado deste fenómeno é que vinham em fuga famílias estruturadas com as quais me identificava. Eu, nos seus sapatos, faria o mesmo que elas.”
Empresário na área dos transportes urgentes, Paulo está tão habituado a resolver problemas rapidamente que não consegue ficar parado a olhar. Nos últimos meses, a inação estava a custar-lhe. “Sou pragmático na análise das crises mas a minha mulher é muito emocional e via-a em sofrimento, a interrogar-se sobre o que poderia fazer. E isso tornou-se um drama lá em casa.”
Na quarta-feira, 23, dois dias antes de Nuno Félix e Pedro Policarpo encabeçarem a caravana Famílias Como as Nossas, Paulo e Celina ouviram-nos na televisão e perceberam o óbvio. Ele tinha de se meter a caminho, enquanto ela ficaria no backoffice e a tomar conta das filhas, de 3 e 7 anos.
Agora, a quase três mil quilómetros de casa, Paulo recorda o que fez depois de tomar a decisão de ajudar uma família de refugiados. Tratou de arranjar um segundo carro para a mulher usar em Portugal, lançou um apelo no Facebook para angariar um co-piloto (David Franco, um antigo colega de liceu, responder-lhe-ia na quinta à tarde) e pediu emprestadas duas cadeirinhas. “Estou preparado para levar uma criança entre os 4 e os 9 anos e outra até aos 12”, diz, com um sorriso.
Não é a primeira vez que Paulo se envolve numa iniciativa solidária. Já andou nas carrinhas de apoio aos sem-abrigo, em Lisboa, e organizou espetáculos de hip hop cujas receitas reverteram a 100% para o IPO. Desta vez, está disposto de fazer ainda mais: alugar um apartamento para alojar uma família de refugiados por um período de seis meses a um ano (Celina está à procura); custear a sua alimentação; e ajudar na sua integração social e profissional.
“Só fico satisfeito se conseguir mesmo levar uma família como a minha para Portugal”, confessará, já dentro do carro, pronto a queimar mais uma etapa rumo à fronteira com a Sérvia. “Mas, se fracassarmos, tenho de estar consciente de que fiz tudo o que podia.”