“É provavelmente a matéria de que estive à espera em toda a minha carreira”, revelou, em 2014, o Professor Robert Young da Universidade de Manchester. Considerado por muitos cientistas o material do século, o grafeno tem inúmeras aplicações, seja nas indústrias da tecnologia, da saúde, do têxtil, do desporto e até mesmo na área da conservação de alimentos.
O grafeno é consistituído por átomos de carbono dispostos numa espécie de rede hexagonal perfeita. Parece complexo, mas provavelmente já todos criámos esta matéria, que tem vindo a revolucionar o mundo da ciência: Ao escrever com lápis de carvão numa folha, estamos a formar camadas de grafite. Se as separarmos até uma única camada, obtemos o grafeno, isto porque esta matéria inovadora tem só um átomo de espessura. A espessura do grafeno é algo como 0,000000000154mm. Para contextualizar, em comparação com um cabelo humano, a sua espessura é mais pequena um milhão de vezes. Isto faz com que o grafeno tenha muita flexibilidade, podendo ser esticado até 20% do seu tamanho original.
As suas capacidades têm vindo a espantar os cientistas – com o tamanho de um átomo de carbono consegue ser extremamente forte e ao mesmo tempo incrivelmente leve e flexível. Além disso, conduz melhor a eletricidade e o calor do que qualquer outro material. Investigadores da Universidade de Manchester dizem que o grafeno é tão fino que absorve somente 2,7% da luz que o atravessa, sendo quase invisível a olho nu. Esta transparência pode ser usada em diversos aparelhos tecnológicos.
É aqui que entra a criatividade dos investigadores. A Dr. Sarah Haigh, investigadora de nanomateriais da Universidade de Manchester, antecipa um para-brisas de um carro a projetar um GPS, uma televisão numa janela ou até mesmo um computador numa lente de contacto. Smartphones superflexíveis capazes de serem enrolados à volta do nosso pulso, um computador que podemos dobrar como um jorna, roupa que reage automaticamente ao ambiente são outras das aplicações que a Universidade de Manchester acredita que o grafeno pode vir a ter.
Os investigadores acreditam também que este material pode ajudar na melhor filtração das águas, durante o seu tratamento, e auxiliar no armazenamento de alimentos, devido às suas propriedades antibacterianas.
Mas a matéria-maravilha tem um ponto fraco. Mark Gallerneault, diretor do centro de pesquisas, Grafoid Global Technology Centre, Ontario, Canadá, afirma que o problema desta matéria é o de não haver “um método de engenharia eficaz que produza camadas de grafeno em grandes quantidades.”
James Hone, professor de Engenharia Mecânica da Universidade de Columbia, Estados Unidos, explica: Se uma camada de grafeno mede, de espessura, um átomo de carbono, mas ao mesmo tempo é extremamente forte, “imaginem construir cabos para segurar pontes, usando grafeno. Seriam precisas milhões de camadas de grafeno”.