Um estudo publicado esta segunda-feira na revista Nature Neuroscience revela como um grupo de investigadores conseguiu criar memórias falsas em ratos, enquanto estes dormiam, naquela que é a primeira demonstração de manipulação da memória durante o sono.
Para a investigação, os cientistas implantaram dois elétrodos no cérebro dos ratos – um na região do hipocampo, o centro de memória do cérebro, envolvido na localização espacial, e outro no centro de “recompensa”. Os roedores foram depois colocados num espaço circular fechado.
Tanto nos humenos como nos ratos, o espaço em que nos movimentamos é mapeado no cérebro pelas chamadas células de localização, que se acendem, à maneira de coordenadas numa grelha, à medida que nos deslocamos.
Os cientistas escolheram uma dessas células e observaram a que localização corrrespondia na vida real. Durante o sono, a memória dos ratos passa em revista a sequência de localizações que tiveram durante a vigília. O que os investigadores fizeram foi ativar o elétrodo de recompensa sempre que a célula de localização escolhida era ativada.
Quando acordaram, foram diretamente ao local em causa como se estivessem à espera de uma recompensa”, relata Karim Benchenane, o neurocientista que liderou a investigação do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris, que explica que a ideia é usar agora esta descoberta como ferramenta para lidar com o stress pós-traumático.
O investigador acredita que no caso dos humanos, a técnica invasiva dos elétrodos poderá ser substituída pelo uso de ressonâncias magnéticas para identificar uma memória específica durante o sono.