Daniel Vasella precisou que para “tornar a produção viável, é preciso criar estímulos financeiros”, segundo o site na Internet do diário económico Financial Times.
Um número “significativo” de reservas da vacina contra a gripe foram já reservadas pelos governos, o que pode gerar problemas de abastecimento inclusive entre os países mais ricos, sublinhou Vasella.
O laboratório tinha já indicado sexta-feira que “mais de 30 governos efectuaram um pedido junto da Novartis para que lhes forneça os ingredientes da vacina contra a gripe A (H1N1)”.
O mesmo responsável realçou que devem ser os próprios países em desenvolvimento ou os países ricos a pagarem estas vacinas através de programas de ajuda.
Esta posição da Novartis contraria a do laboratório britânico GlaxoSmithKline, que se comprometeu a distribuir gratuitamente entre os pobres até 50 milhões de doses da sua vacina contra a gripe.
Vasella calcula que o custo de uma dose da vacina se situe entre os 10 e 15 dólares, no caso de pedidos significativos, e algo mais se forem pedidas menos doses ou para pedidos feitos mais tarde.
A Novartis tinha já recebido no final de Maio 289 milhões de dólares (206,8 milhões de euros) do Ministério da Saúde norte-americano para desenvolver estudos clínicos e para a produção de uma vacina.
Segundo o diário britânico, as palavras do empresário representam um desaire para a directora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, que na semana passada pediu à indústria farmacêutica “solidariedade” para com os pobres.
A OMS desencadeou quinta-feira o nível 6 de alerta máximo face à gripe A (H1N1), já considerada como a primeira pandemia mundial do século XXI.