Pedro Passos Coelho estava sem gravata, mas quase todos os jovens do sexo masculino que foram ao jantar de fato não dispensaram o acessório. Elas, muito menos, também iam com roupa escura e conservadora. E na mesa onde Passos Coelho jantou, Rita Matias teve lugar à cabeceira. Mas o mais impressionante para quem esteve no evento do Senado – um grupo de jovens de direita fundado em 2013 para organizar debates políticos – foi a forma entusiástica com que foi recebida a ideia de Passos segundo a qual o Governo de Luís Montenegro não é mais reformista do que o de António Costa nem se distingue muito dele, limitando-se a gerir as crises e as expectativas dos eleitorados. “Arrancou um enorme aplauso”, conta uma testemunha, que justifica o entusiasmo com a forma como o antigo primeiro-ministro “traz convicções, propostas e projetos e não traz o que é óbvio, traz o que é difícil”.
O jantar foi no dia 20 de março e encaixou na agenda de Passos Coelho, que acelerou no final de fevereiro, quando se soube que o até aí diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves, era a escolha de Luís Montenegro para ministro da Administração Interna. “Tenho a certeza de que a escolha do primeiro-ministro se baseou na melhor das intenções. Mas o precedente é grave. Não se pode passar. Não é um bom sinal que se dá”, disse Passos Coelho, que logo depois disso subia a tal ponto o tom das críticas à falta de reformismo do Governo que a troca de palavras com Montenegro acabou com Passos a garantir que não é “candidato a coisíssima nenhuma”.
