Menos de 16 anos depois da sua implantação, após o derrube da monarquia, a 5 de outubro de 1910, a I República, democrática e liberal, já vivia asfixiada por forte instabilidade política e social, e pela penúria económico-financeira. Do outro lado da barricada, setores militares e civis, estes ligados ao patronato, tinham levado a cabo dois golpes para derrubar o regime e, inspirados no que o fascista Benito Mussolini fazia em Itália, instalar um poder forte – ou seja, uma ditadura.
Ambas as insurreições foram neutralizadas pelas forças fiéis ao governo constitucional, mas a fragilizada República democrática acabou por libertar os implicados e reintegrou-os nas Forças Armadas. Decisão fatal: um novo golpe, a 28 de maio de 1926, seria bem-sucedido, e foi instaurada uma ditadura militar.